GAIOLA

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Tive um amigo que passou a cultivar vários tipos de plantas, frutíferas e ornamentais, no quintal de sua casa. O lugar se tornou aos poucos um belo espaço verde. Quando quis ter pássaros, descobriu que poderia atraí-los. Desenvolveu um comedouro de madeira, onde colocava pedaços de frutas e pequenas porções de grãos. O resultado foi ver chegar bem-te-vis, pardais, pombas, andorinhas, além de pássaros mais raros, que eu nem saberia lembrar os nomes. Ele transformou seu quintal num belo jardim com a presença de pássaros que, nas manhãs e tardes, presenteavam a todos com seu canto.

 Aquela experiência faz pensar nos pássaros criados nos quintais das casas. Aves cuidadas, alimentadas, reproduzidas e protegidas, mas sem a liberdade daquelas outras. Cantando e embelezando, mas engaioladas, a troco de um bocado de alpiste. Mas o que mais intriga é lembrar que, de outras formas, a fé, que se organiza e se institucionaliza cada vez mais, funciona na vida de muita gente como as gaiolas dos pássaros. Gaiolas que podem até ter a intenção de preservar, cuidar, mas, mesmo assim, tiram a liberdade e a espontaneidade. Gaiola que livra do perigo das ruas, das agressões e até da morte, mas ao mesmo tempo, tira o brilho do vôo livre e natural. Sinto o dilema dos pássaros na realidade da religião, que se por um lado pode proteger, por outro, pode cair no erro de escravizar, se por um lado pode livrar da morte, por outro, corre o risco de privar da vida. O que será melhor?

Por ironia, uma amiga de minha esposa, ganhou uma gaiola e, não admitindo a possibilidade de prender pássaros, resolveu colocá-la como enfeite, sem as portas, num dos cantos de seu quintal. Mesmo assim, colocou nela frutas e alimentos para aliviar a fome dos passarinhos que passam por lá e, para sua surpresa, teve a gaiola cheia deles. Noutro dia nos contou isto e disse que quando as pessoas a visitam ficam impressionadas com os belos pássaros que possui na gaiola e quando descobrem que estão soltos, podendo entrar e sair quando bem entenderem, ficam ainda mais espantadas.

Quem dera pudéssemos reelaborar a prática da religião de forma que não se construísse no coração das pessoas esta encruzilhada que leva ou para a liberdade mortal ou para a clausura. Quem dera tivéssemos a confiança de que o que cremos pode libertar sem a necessidade de engaiolar em conceitos, costumes e interesses. Quem dera entendêssemos as palavras do apóstolo Paulo advertir que para a liberdade foi que Cristo nos libertou e cumpríssemos sua recomendação de, uma vez livres, não aceitarmos novamente qualquer forma de jugo ou escravidão!

Rev. Nilson

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Published in: on maio 9, 2014 at 12:23 pm  Comments (1)  

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