Trilhos

 trilhos

Numa conversa informal, ouvi de um jovem algo profundo. Falando sobre “liberdade”, ele ponderou: “o meio de transporte terrestre mais rápido que existe é o trem, e isto só é possível porque ele tem trilhos, ou seja, tem referências que lhe asseguram a rapidez”. Esta reflexão me causou surpresa, especialmente pela maneira simples e objetiva que o rapaz encontrou para dizer que a liberdade, por si só é muito bela, porém, pode não significar sucesso ou realização. Na figura do trem que alcança sua eficiência através de uma orientação pensada, refletida e estudada pelos profissionais que projetam e constroem os trilhos, existe inspiração suficiente para se concluir que a vulnerabilidade de projetos e sonhos que não se referenciam a ninguém e a nada pode estar na ausência de compromissos práticos com algum tipo de ordem ou orientação.

Infelizmente, o sonho da liberdade leva muita gente a negar a importância dos “trilhos” por considerá-los instrumentos de opressão ou restrição, mas nem sempre isto representa a verdade, mesmo porque, quem procura viver sem eles, dificilmente consegue chegar a algum destino. Viajar sem rumo pode ser um erro gravíssimo para a vida. Viajar sobre trilhos significa considerar a experiência de quem já viajou antes, abrindo picadas, avaliando possibilidades, estudando o terreno, machucando-se, frustrando-se, experimentando caminhos, até chegar a uma conclusão adequada, capaz de conduzir quem viesse depois, com segurança e rapidez.

A liberdade eficaz e construtiva, mais que sugerir uma caminhada sem rumo, se relaciona ao direito que cada pessoa tem em escolher estradas e destinos, e é preciso escolher bem antes de sair em viagem, para não correr o risco de passar a vida indo e vindo, fazendo e desfazendo planos, sem concluir nada. É triste ver pessoas que, em nome da liberdade, envelhecem frustradas por não chegar a lugar nenhum, sem sucesso e sem realização. Contam suas histórias através de tentativas e frustrações, porque não tiveram lucidez para refletir antes sobre bons e maus destinos.

Ao se referir à liberdade, o apóstolo Paulo adverte: “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão[1]”. De alguma forma o apóstolo diz que a liberdade, ao mesmo tempo em que nos dá o direito de levar a vida como bem entendemos, oferece o risco de nos deixar cair em armadilhas que nos aprisionam, por isso, salienta a necessidade de estarmos “firmes”, ou seja, de usarmos a razão, mais que a emoção, para balizar nossas escolhas. Mostrar boas estradas é dever das pessoas que nos amam, mas decidir sobre um bom futuro é dever de cada um de nós.

Que Deus nos ajude a usufruirmos bem da liberdade que temos. Que consideremos a existência e a necessidade dos “trilhos” que nos conduzem pela vida. Que saibamos escolher bons destinos e que a vida nos seja agradável, segura, cheia de acertos e alegrias.  

Rev. Nilson


[1] Gálatas 5:1 

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Published in: on agosto 28, 2013 at 1:29 pm  Deixe um comentário  

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