Troca de agenda

agenda-2013

Como em todos os anos, aproveito um dia depois das férias para preencher minha nova agenda. Transcrevo nomes, telefones, e-mails e alguns endereços e anotações que julgo importantes. Neste ano descobri que este momento é especial e bem mais significativo do que exercitar a caligrafia. Percebi que se trata de um tempo de análise, de rememorar fatos, encontros, pessoas e ocasiões significativas da vida. Da mesma forma, percebi também que esta tarefa exige desprendimento para deixar pra trás o que não é bom lembrar, o que faz mal e entristece. Verifiquei que o fato de trocar de agenda representa a troca de perspectiva, de esperança, cabendo a quem escreve o poder de deixar ou não em pauta o que faz bem e o que faz mal.

Ao mesmo tempo em que vivia a experiência com as agendas nova e antiga, recebi de alguém uma frase atribuída a Albert Schweitzer dizendo que “a felicidade é nada mais que boa saúde e memória ruim”. É claro que há controversas nesta afirmação, mas, de alguma maneira, serve de receita para levar bem a vida, afinal, certas lembranças podem simbolizar fardos emocionais pesados que dificultam a caminhada pelas estradas da existência. Existem questões que merecem cair no esquecimento, na frieza do que já não existe mais e serem deixadas no lugar onde as coisas não têm mais valor. Neste sentido, o texto bíblico parece reconhecer o benefício dessa atitude ao dizer: “esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo…” . Assim, ele nos motiva a agir de maneira sábia ao editar as novas agendas que temos, tendo a sabedoria de conservar o que convém para nossa felicidade e paz e deixar no arquivo do passado o que entristece, deprime e desmotiva.

Este fato, aparentemente banal, pode nos ajudar a avançar, a prosseguir, como salienta o apóstolo. Mais que isto, viabilizar reencontros, restaurar laços, refazer o que, aparentemente, está desfeito. Como disse uma amiga há poucos dias, “neste século não há espaço para quem não quer reaprender”. E acrescentaria: para quem não consegue deixar de escrever dias, semanas e anos, com os mesmos dramas, mazelas, ranhuras e más experiências.

É salutar, portanto, esquecer as coisas que para trás ficaram, agendando novos compromissos, renovando sentimentos e sentidos, relevando os equívocos – dos outros e nossos – que nos fizeram sofrer, deixando que a vida seja leve, sem fardos insuportáveis, que só permanecem nos ombros de quem faz questão de não ser feliz e não se deixa viver, e não entende que a vida precisa ser compreendida através de tempos, fases e períodos que vêm e vão, que surgem e se acabam, aparecem e, de repente, já não existem mais e devem perder seu valor, como uma agenda velha deixada no esquecimento de algum canto do passado.

Rev. Nilson

Published in: on abril 26, 2013 at 1:02 pm  Deixe um comentário