“Vós me chamais de mestre e bem o fazeis porque, de fato, eu sou”

(a respeito do falecimento do Professor Elias Boaventura – do Programa de Pós Graduação em Educação da UNIMEP em 07.01.12)

Cada pessoa se lembrará do professor Elias de sua própria maneira, por um gesto, uma frase, ou evento… imagino que somos seres multifacetados e nos mostramos a cada amigo, amiga, de uma forma especifica. A porção revelada a mim sempre se referiu ao tema religioso, quase sempre celebrado pelo peculiar bom humor inteligente e perspicaz.

Sempre que o encontrava o provocava com um trecho bíblico ou de algum hino tradicional da Igreja. Embalado pelo tema acadêmico, me dirigia a ele como mestre, ao que me respondia em tom irônico: “Vós me chamais de mestre e bem o fazeis porque, de fato, eu sou” numa alusão a João 13.13. Noutras ocasiões, me utilizava de fragmentos das letras de hinos, provocando-o ao dizer “Ó mestre, nunca cessarão meus lábios de bendizer-te” (nº 133 do Hinário Evangélico) ou ainda, dizia: “Mestre, o mar se revolta, as ondas nos dão pavor” (nº 342). O impressionante era vê-lo recitar o restante das letras com ênfase e muita emoção. Era tocante perceber o sentimento e o significado que aquilo tinha pra ele.

Mais que um professor renomado, o ex-reitor da UNIMEP, o líder, pensador e escritor, o Professor Elias me marcou como um grande ser humano, com sua sensibilidade aguçada e sua capacidade de ver bem além do comum. Tive, como os muitos amigos, orientandos, alunos, colegas e conhecidos, o privilégio de conhecê-lo no tempo comum de sua vida, na espontaneidade das brincadeiras, na singeleza das histórias que o marcaram, na simplicidade de sua informalidade. E, como pastor, presenciei vários discursos, homenagens, cerimônias, onde nos ensinou muito sobre docência, ternura, respeito e educação.

Para quem conviveu com ele por tão pouco tempo, como eu, ou por uma vida, como muitos e muitas que se pronunciaram nas homenagens póstumas, fica uma lembrança serena, amiga, humana e cristã, de um homem que nos inspira à vida, à convivência, ao diálogo e a transcender.

Rev. Nilson

Published in: on janeiro 10, 2012 at 11:39 pm  Comments (1)