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Published in: on abril 19, 2011 at 5:39 pm  Deixe um comentário  

Presença

(pelo aniversário da Márcia – 14.04)

Tenho um retrato teu sobre a mesa da minha sala… e nele me abasteço de teu olhar sempre que posso…
No anel da minha mão esquerda está teu nome, para que dele nunca se aparte meu corpo…
Em minhas lembranças estão muitos dias, noites, cenas, sons, imagens, para que eu não me esqueça de que estás em toda a minha história, mesmo antes de te conhecer, quando já convivia contigo em meus sonhos…
Na minha paz, há uma presença tua… em minha alma, há um sorriso teu… em meu futuro, um único desejo, de estar contigo sempre…
E no meu hoje, está em ti a minha mais verdadeira felicidade.

Nilson.

Published in: on abril 13, 2011 at 11:12 pm  Comments (1)  

A utopia das gaiolas vazias

Sou da cidade dos Pássaros, Arapongas, no Paraná. Apesar de não ter nascido lá, considero-a minha, pois ali nasceram minha esposa e minha filha, além de ser o lugar onde fiz amigos e me casei. A cidade recebe este tratamento porque todas as suas ruas tem nome de pássaro. A avenida principal leva o mesmo nome da cidade, homenagem a um pássaro branco que, ao invés de cantar, como os outros, emite um som parecido com o barulho de um martelo batendo numa bigorna. Conta a história que, quando chegaram os colonizadores, encontraram muitas aves dessas e decidiram dar seu nome ao novo município.

As ruas perpendiculares a avenida central são em ordem alfabética, lembrando o nome das aves. Assim, temos a rua Andorinhas, depois a Beija-flor, Condor, Drongo, Eurilemos, Falcão, Garças, Harpia, Íbis, Jacutingas, Lori, Marabú e por aí vai.

Existe lá uma feira anual de exposição de aves. Normalmente, no ginásio de esportes, que fica na região central, criadores dali mesmo e de outras regiões trazem uma variedade imensa de espécies. Desde periquitos até pássaros raros e quase extintos. Esta feira, além de incentivar a criação, também funciona como um evento de troca de experiências e de aves. Muito dinheiro é movimentado nestas ocasiões.

Como se percebe, a tradição da criação de aves em Arapongas é muito forte e, normalmente, quem vive lá, nunca, ou quase nunca, discute sobre o que há de bom e ruim, certo e errado desta prática. O que se fala, habitualmente, diante de algum questionamento sobre submeter os passarinhos a uma gaiola, é que “eles já nasceram engaiolados e certamente morreriam se fossem libertados”.

Depois de muito tempo longe daquela terra, esta frase dos criadores passa a me afligir ao encontrar, mundo a fora, outras formas de prisão que fazem lembrar aquelas gaiolas. Rubem Alves, num de seus artigos, afirma: “Amar é ter um pássaro pousado no dedo. Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que, a qualquer momento, ele pode voar”.

No confronto destas duas visões penso sobre o significado de amar. De um lado, há quem considere que amar é prender, pra proteger, livrando de ameaças, escassez, descuido e descaso. De outro, que amar é libertar, arriscar, permitir, mesmo que hajam riscos, perigos, fracassos.

Confesso que vivo o limiar desses dois sentimentos. Arrependido de já ter privado, pensando estar protegendo, engaiolando quem poderia ter voado. De outra forma, encorajado a promover vôos para a liberdade… que apesar de amedrontar, preocupar, é essencial para o crescimento de todos.

Lamento pelo medo dos criadores que, certamente, também é recheado por um pouco de egoísmo e vaidade. Não é fácil ensinar a voar, especialmente quem nunca voou, por ter nascido privado disso e predestinado a ser somente um enfeite, sem poder utilizar aquilo que a natureza lhe deu como característica maior.

Ao mesmo tempo entendo os criadores… não é fácil ser mero expectador da liberdade do outro, pois antes de proporcionar liberdade é preciso estar liberto consigo mesmo e com o mundo, pois só assim é que se entende o benefício de se sentir livre.

Quem sabe, não haja possibilidade de um novo pensamento… onde a utopia das gaiolas vazias seja o reflexo do desejo de mentes libertadoras, gentis e dispostas a quebrar as tradições que frustram as asas de quem nasceu para voar.

Rev. Nilson

Published in: on abril 10, 2011 at 2:14 pm  Comments (2)  

Roda mundo, roda-gigante

Como qualquer menino interiorano, ficava maravilhado quando se instalava em nossa cidade um parque de diversões. As muitas luzes fazem brilhar forte os olhos de qualquer pessoa, ainda mais se elas chamam a um lugar onde existem tantos aparelhos sugestivos para o despertamento das ilusões de uma criança.

Naquele tempo não havia tantas opções nos parques, como hoje, mas lembro com saudades de vários brinquedos que me atraiam: os carros bate-bate, o chapéu-mexicano, a roda-gigante.

Lembro-me de uma vez que o controlador da roda-gigante colocou em suspense a atenção de todos que o observavam. Mesmo com o aparelho em movimento, ele escalou a roda pela estrutura externa, para reparar um pequeno dano no topo da ferragem. As pessoas ficaram com o “coração na mão” temendo presenciar uma tragédia, mas tudo foi muito tranquilo. E subiu e desceu como numa escada.

Acredito que a roda-gigante faz parte da lembrança de muita gente e, talvez, por isso mesmo, sirva para ilustrar a vida tão bem. Uma vez, ouvi alguém dizer algo interessante, falando sobre os relacionamentos: “as pessoas se esquecem que a vida é como a roda-gigante, hora se está por cima, hora se está por baixo. Se todos lembrassem disso, haveria muita diferença na forma com que as pessoas se tratam”.

Realmente, faz todo sentido a lembrança da roda-gigante para esboçar os tratamentos que damos e recebemos. A vida e a dinâmica de poderes, decisões, mando e obediência é assim mesmo, instável, temporária, vulnerável e inconstante. Não há “ser”, há “estar”. Cada pessoa é, em um mero tempo, em um mero espaço, não há eternidade para o que fazemos, nem para nós mesmos, mas, transitoriedade.

Nenhum status é perene, antes, é como um sobe e desce, um dá e toma, e não há quem possa ser dono de nada, nem mesmo de si, nem mesmo da própria vida.

O apóstolo Paulo parece ter conhecido esta dinâmica da roda que eleva e declina, alertanto-nos sobre isto, na primeira carta aos coríntios ao dizer: “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia” .

Se a imagem lúdica da roda-gigante puder sair de nosso imaginário infantil e prevenir-nos da ilusão que nos leva para os altos sonhos, certamente, entenderemos que a vida é dinâmica, não para, dá voltas constantemente e nos faz experimentar momentos altos e momentos baixos, revelando-nos que o segredo de viver está em saber olhar pra baixo tanto quanto em saber olhar pra cima, respeitando todos os níveis como se fossem num só plano.

Quem sabe assim, conscientes do sobe e desce natural da experiência humana, lembremos que relacionamentos nutridos pela cordialidade, pelo respeito, dignidade e consideração são instrumentos de equilíbrio para a nossa alma, nosso espírito e nossa fé.

Rev. Nilson.

Published in: on abril 1, 2011 at 6:46 pm  Deixe um comentário