A história que eu quero contar

É fim de ano, tempo de fechar balanços, lembrar os fatos, rever os sonhos. Tem-se agora um momento propício para elaborar mais uma história… a narrativa do que passou, do que aconteceu. Como diz o salmista, hora de “contar os nossos dias” , no sentido contábil e no sentido textual.

Certamente, ao olharmos pra trás, na busca de organizar esses poucos meses na estrutura de nossas lembranças, encontraremos fatos bons, significativos, felizes, mas, da mesma forma, reveremos algumas tristezas, frustrações e desilusões.

Na verdade, é esse peso todo de sentimentos antagônicos que marcará nossa vida de maneira positiva ou negativa, conforme escolhermos o que será privilegiado, enaltecido.

No filme “O contador de histórias” – que retrata a experiência de Roberto Carlos Ramos, um menino pobre que foi criado na FEBEM de Belo Horizonte – MG e teve a vida transformada depois de conhecer uma pedagoga francesa – nos deparamos com uma citação extraordinária, quando, no relato de sua própria história, o protagonista afirma: a minha história não foi bem assim, mas é assim que eu quero contar.

Esta frase é desafiadora. O personagem em questão, como já foi dito, vivenciou os piores dramas da existência: solidão, violência, carência. Ao relatar sua própria experiência, resolve, como uma decisão pela felicidade, pinçar, entre suas lastimáveis lembranças, o que lhe fosse agradável, benéfico. Poderia, certamente, escolher e salientar suas tragédias, como marcas principais daquele tempo duro, contudo, opta por uma leitura elaborada pelo bom senso, gratidão e afetividade.

De alguma forma, o “contador de histórias” nos ensina como é possível tratar bem da lembrança, do passado e da própria vida à medida que se escolhe a melhor parte, a melhor lembrança, a melhor imagem.

Numa de suas epístolas, o apóstolo Paulo nos inspira nesta mesma direção ao concluir: “… quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” . Assim, o escritor bíblico sinaliza sua disposição não dar tanto valor ao que não lhe faz bem e, ao mesmo tempo, prosseguir em direção daquilo que lhe apraz.

Quem sabe tenhamos, a partir dessa dinâmica, uma bela história para contar desse ano que se finda. Quem sabe, na disposição de bem escolher os sentimentos e as lembranças, possamos, ao nos referirmos a este tempo, reviver alegrias, satisfações e contentamentos.

Que Deus nos abençoe com boas recordações, boas emoções e boas histórias.

Rev. Nilson

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Published in: on dezembro 29, 2010 at 6:49 pm  Deixe um comentário  

Natal

Published in: on dezembro 21, 2010 at 7:32 pm  Deixe um comentário