4.4

Num dia desses, muitas coisas vêm à mente. Lembranças, pessoas, tempos e lugares…
Além da eterna gratidão devida a Deus pela saúde, alegria e realizações, cabe bem um agradecimento a quem, de alguma maneira, me suportou em algum momento – apoiando e aguentando as ‘chatices’, também conhecidas por ‘personalidade’… rssss.

É propício, também, o abraço da pessoa amada, a presença dos filhos, a lembrança da mãe, da sogra… e até de algum cunhado que se aventure… rsss…

Mas a pior parte são as constatações naturais da data… principalmente, ao concluir que, de alguma maneira… Não vou me adaptar… rsss… afinal…

Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia
Eu não encho mais a casa de alegria
Os anos se passaram enquanto eu dormia
E quem eu queria bem me esquecia…

Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar…

Eu não tenho mais a cara que eu tinha
No espelho essa cara não é minha
Mas é que quando eu me toquei achei tão estranho
A minha barba estava desse tamanho…

Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar… Me adaptar… Não vou!
Me adaptar! Me adaptar! Não vou! Me adaptar!
Não vou! Me adaptar! – (Arnaldo Antunes – 1985).

Nilson

Published in: on novembro 19, 2010 at 11:19 am  Comments (2)  

Palavras

Estive de mal com as palavras…
Às vezes as sinto levianas, insensíveis, insuficientes para expressar coisas que existem em minha alma…
Há quase dois anos luto para recuperar em mim a credibilidade no léxico.
Onde estavam elas quando morreu meu pai?
Pareciam uma boiada estourada fugindo pelas cercas de meus sentimentos…
Briguei com elas. Não tive vontade de buscá-las…deixei que fossem…
Malditas palavras!
Onde estavam quando mais precisei?
Agora, encabrunhadas, devagar, retornam, uma a uma, esgueirando-se pelos muros, deslizando pela porta…
A porta está aberta!
Que entrem! …mas tenham respeito.

Márcia Regina.

Published in: on novembro 14, 2010 at 1:23 pm  Deixe um comentário