Questão de equilíbrio

Existem situações que confrontam nossa ética de maneira direta. Normalmente estes mal-estares são mais agudos quando envolvem pessoas próximas por afinidade, por parentesco ou mesmo por ofício. A angústia é evidente nestes casos porque quando existe emoção, proximidade ou interesses, somos tentados fortemente pela tolerância e, quase sempre, com extensão ampliada.

Então o que fazer se aparentemente no final da reta da tolerância parece estar a conivência? Se, no encanto da amizade, da proximidade e do companheirismo existe também o risco iminente e constante da omissão, da cumplicidade e do erro?

Talvez esteja nesse entorno o limiar da coerência cristã que aponta diretamente para estes dois pontos, evocando a tolerância e condenando a conivência e a omissão.

Tolerar, segundo o Aurélio, significa uma tendência a admitir, nos outros, maneiras de pensar, de agir e de sentir diferentes ou mesmo diametralmente opostas às nossas e, nas relações sociais até mesmo a isenção de normas, de regras, remetendo mesmo a licenças, isenções e dispensa de obrigações.

Por outro lado, conivência denota complacência, transigência ou cumplicidade para com falta ou infração de outrem e, mesmo, uma forma de cumplicidade que consiste em, patente ou dissimuladamente, abster-se de prevenir, impedir, atalhar ou denunciar um delito, de cuja premeditação se tinha conhecimento.

Estes dois lados são de extrema importância para quem almeje seguir os passos de Jesus Cristo… se por um lado é necessário tolerar dificuldades e limitações, por outro, é preciso instar contra a injustiça, a mentira e a dissimulação. Se é preciso ser amigo para louvar os acertos, é necessário também, ser irmão para confrontar o que não está certo e não condiz com a conduta cristã.

O problema é quando se perde a dimensão, o espaço e a linha divisora desses dois temas. Aí, então, quem confronta, passa a ser inimigo e quem tolera, amigo. Daí nascem os desacertos mais graves da religião, como a falta de correção, a omissão, a complacência e a essência da fé perde o brilho, ofuscada pelo interesse político e pessoal.

Quem dera fôssemos maduros para lidar com os contrapesos da fé e da ética e não tivéssemos receio em equilibrar os relacionamentos, religiosidades coerências Quem dera!

Rev. Nilson

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Published in: on janeiro 24, 2010 at 1:35 pm  Deixe um comentário  

Eis que estou convosco todos os dias…

Dona Elza se foi e a impressão que fica é que se vai mais um exemplar de uma gente rara, que aprendeu a confiar em Deus de maneira absoluta. É impossível falar dela sem lembrar do “Seu” Geraldo, com quem dividiu a vida, os filhos e a confiança em Deus.

Em tempos de uma fé condicionada, relativa e dependente de sinais, prodígios e prosperidade, esse casal deixa o exemplo de quem confiou o tempo todo e, como no casamento, souberam permanecer firmes na riqueza e na pobreza, na saúde ou na doença.

Viveram dias de paz e dias de amargura do mesmo jeito: Trabalhando, sorrindo e confiando em Deus. Nada lhes foi mais importante… tanto que foi uma das mais expressivas heranças deixadas aos filhos, filhas, noras, genros, netos, netas e bisnetos.

O Deus deles não era particular, mas de todos e todas… vizinhos, amigos, conhecidos. Eles, realmente, tinham uma coisa maravilhosa na vida que não cabia só neles… era necessário repartir… por isso foram evangelizadores por essência.

Numa visita ao hospital, disse a ela que deveria confiar em Deus e tranqüilizar-se. Ainda não sabia do câncer que lhe importunava. Disse estar curiosa sobre o que a afligia. Li pra ela o versículo 20 de Mateus 28: “E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século” lembrando-a das últimas palavras de John Wesley, já no leito de morte: “O melhor de tudo é que Deus está conosco”. Com isto, consolei-a dizendo que Deus estaria consigo agora como estivera antes e que isto não mudaria independentemente da enfermidade. Isto a fez sorrir e concluir que, de fato, pouco importava a gravidade da doença se o melhor de tudo é que Deus continuava ao seu lado.

Hoje, na lembrança da D. Elza e do “Seu” Geraldo, fica o exemplo de uma fé transcendente, que sabe manter-se em qualquer tempo e situação. Fica o sorriso constante… mesmo na hora da tragédia, do lamento… fica a sabedoria de conhecer as coisas simples e modestas… e ser feliz com elas. Fica a consciência de que a vida verdadeira, plena e palpável, não é nada mais que isto.

Agora, nos conforta saber que estão junto de Deus, do mesmo Deus que esteve com eles todos os dias em que pudemos tê-los conosco.

Rev. Nilson.

Published in: on janeiro 21, 2010 at 5:25 pm  Deixe um comentário