Pandemia

Pandemia

Uma pandemia (do grego παν [pan = tudo/ todo(s)] + δήμος [demos = povo]) é uma epidemia de doença infecciosa que se espalha entre a população localizada em uma grande região geográfica como, por exemplo, um continente, ou mesmo o planeta. Uma doença ou condição, não pode ser considerada uma pandemia somente por estar difundido ou matar um grande número de pessoas, deve haver também uma característica relacionada ao seu potencial infeccioso. Por exemplo, câncer é responsável por um número grande de mortes, mas não é considerada uma pandemia porque a doença não é contagiosa (embora certas causas de alguns tipos de câncer possam ser).

Já aconteceram várias pandemias significativas na história da humanidade, como a gripe e a tuberculose. Algumas epidemias foram tão intensas que quase chegaram a aniquilar cidades inteiras. Dentre elas, a chamada Peste do Egito (430 a.C.) que na verdade se tratava da febre tifóide e matou um quarto das tropas atenienses e um quarto da população da cidade durante a Guerra do Peloponeso; a Praga de Antonine (165–180) – possivelmente causada pela varíola trazida próximo ao Leste; matou um quarto dos infectados. Cinco milhões no total; a Peste de Justiniano (541), sendo a primeira contaminação registrada de peste bubônica, que matou 10.000 pessoas por dia, atingindo 40% dos habitantes da cidade. Foi eliminada até um quarto da população do oriente médio.

A “primeira” pandemia de gripe surgiu na África em 1510 e se espalhou pela Europa, e, poteriormente, o mundo foi surpreendido com outras três, a Gripe Asiática (1889–1890), causada pelo subtipo H2N8 do vírus influenza produzindo uma taxa de mortalidade muito alta; a Gripe espanhola (1918–1919), atingindo todos os continentes, extraordinariamente mortal e violenta, matando em seis meses 25 milhões de pessoas; a Gripe asiática (1957–1958) – o vírus H2N2 que causou aproximadamente 70.000 mortes, somente nos Estados Unidos e agora, a Gripe suína que refere-se à gripe causada pelas estirpes de vírus da gripe, chamadas vírus da gripe suína, que habitualmente infectam porcos, onde são endêmicas. Em 2009 todas estas estirpes são encontradas no vírus da gripe C e nos subtipos do vírus da gripe A. também conhecida como Influenza A H1N1.

Desde o aparecimento dessa nova moléstia, nossa crise como população, tem sido contada diariamente. Até quinta-feira passada, somente no Brasil, as mortes chegavam a 275 e, presume-se, que estes dados sejam bem inferiores à realidade, uma vez que os diagnósticos só podem ser oficializados com um exame que demora dias para ser concluído.

O burbúdio da nova gripe, transformada em pandemia, faz refletir sobre morte e vida. Com exemplos tão agressivos como o caso da menina Jaqueline Ruas, de 15 anos, que morreu dentro do avião que a trazia de uma sonhada viagem de férias, somos convidados, pelo bom senso, a parar e pensar que a vida precisa de atenção.

Recorrendo a um exame de consciência e saúde, podemos constatar outras epidemias, pandemias, que também nos matam diariamente… vestidas de segredo e discrição, moléstias da alma e da emoção humana desencadeiam quadros tão mortais como as bactérias que nos ameaçam o corpo físico. Sentimentos como soberba, presunção, ambição, altivez, tem um grau de destruição bastante próximo aos que estamos vendo nos telejornais.

A diferença é que nas enfermidades emocionais, as pessoas mantem a aperência, sorriem, brincam, sem dar a perceber que padecem e morrem em suas dores, angústias e frustrações. Uns, agem como as bactérias, como agentes das molestias, outros, como infectados, no sofrimento mórbito.

O curioso é lembrarmos de Cristo e de suas palavras, que são vida, resposta e cura para esses dramas e, especialmente, dos procedimentos receitados por ele para evitar as pandemias do sentimento. Para Jesus, precisamos, ao contrário do que fazemos para evitar a influenza, “tirar as máscaras”, deixando à vista nosso rosto, nossa aparência, nossa verdade. Na mesma proporção, contrariando o que se faz na vida fisica, não podemos “lavar as mãos” diante de quem ameaça e de quem é ameaçado… e mais, inversamente do que temos feito, é preciso “tocar as pessoas”, “ficar próximo”, sair de casa, entrar no meio da multidão, participar de reuniões, estar no meio do povo. Para Jesus, no caso das pandemias da alma, a proximidade e o comprometimento é que trazem cura.

Que tenhamos vida abundante… física, emocional, espiritual. Que tenhamos atenção para os vários tipos de morte que nos assediam. Que tenhamos estratégias de vida e de paz.

Rev. Nilson.

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Published in: on agosto 24, 2009 at 2:12 pm  Comments (1)  

As flores do caminho

GRACIOSA

A Estrada da Graciosa, como é conhecida a Rodovia PR-410, é uma estrada pertencente ao governo do Paraná que utiliza a antiga rota dos tropeiros em direção ao litoral do Estado, interligando Curitiba às cidades de Antonina e Morretes.

A estrada atravessa o trecho mais preservado de Mata Atlântica do Brasil, marcado pela mata tropical e pelos belos riachos que nascem na Serra do Mar. Por isso, em 1993, parte do trecho da Serra foi declarada pela UNESCO como Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Na região, existem dois importantes parques estaduais: o Parque Estadual da Graciosa e o Parque Estadual Roberto Ribas Lange.

Datam do início do século XVIII as primeiras notícias sobre a pioneira Trilha da Graciosa, que deu origem ao trajeto. As obras de construção da estrada foram concluídas em 1873, tendo sido iniciadas logo após a criação da Província do Paraná, por ordem do seu primeiro presidente, Zacarias de Góis Vasconcelos.

Até a metade do século XX, a Estrada da Graciosa permaneceu como única estrada pavimentada do Estado, sendo importante rota de escoamento da produção agrícola (café, erva-mate e madeira) do Paraná rumo ao Porto de Paranaguá e ao Porto de Antonina .

Foi por lá que eu e minha família viajamos algumas vezes em direção ao litoral paranaense, o que é um privilégio para os olhos. Desde que se passa pelo portal que inicia a rodovia, se começa ter a certeza de que aquele é um lugar lindo. As montanhas, o clima, tudo inspira uma experiência especial para a vida.

É certo que a estrada, em si, é bem perigosa… a sinuosidade e a pavimentação são detalhes bem diferentes para quem está acostumado às vias modernas, afinal, parte da estrada foi calçada artesanalmente com pedra e apesar do trabalho primoroso, não se contava, na época do calçamento, com a tecnologia que temos hoje, capaz de fazer com que os automóveis se mantenham seguros no caminho.

Para se ter uma idéia, existe um posto da polícia rodoviária no início da estrada que fecha o trajeto diante de qualquer sinal de chuva. O ladrilho molhado representa um risco terrível. Desta maneira, a beleza do caminho é uma compensação pelo perigo que suas curvas reservam para quem nele se aventura.

A vegetação é magnífica… existem flores que ladeiam todo o percurso, árvores centenárias e belezas que se mostram nas cachoeiras, cascatas, riachos e abismos impressionantes. Apesar da tensão, pelo que se exige de cuidado de quem viaja, o encanto do local dá lugar a um sem fim de emoções e surprezas.

Aquele monumento que está encravado no coração da Mata Atlântica faz pensar sobre os contextos da vida, que já foi comparada a uma estrada… situações que nos levam por caminhos tênues, que nos deixam apreensivos e sem saber como caminhar… momentos que exigem toda nossa atenção e cuidado e nos provocam a andar por lugares inseguros, que não se sabe como terminam. Seja na projeção de nosso futuro, ou nas incertezas que nos assolam, as estradas que surgem diante de nós, sem que queiramos, são processos difíceis, mas necessários à nossa continuidade, o que, quase sempre, nos apavora.

O que dificilmente notamos, são as flores do caminho, que, normalmente, acompanham nossa apreensão… e percebê-las, muito nos ajudaria a contrabalancear nossa emoção, fazendo de nossos desafios, situações mais cômodas.

Isto tudo nos faz lembrar do texto bíblico (1 Cor. 10.13) ao lembrar que “…Deus é fiel e não permitirá que seja(mos) tentados além das (nossas) forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, (nos) proverá livramento, de sorte que a possa(mos) suportar”. Esta afirmação parece ter relação com as belezas que enfeitam a estrada perigosa, como que num contraponto ao perigo iminente.

Fazendo crer que sempre haverá flores para ornamentar os caminhos mais difíceis e belezas inexplicáveis para consolar a emoção… basta olharmos ao lado de nossas dificuldades e contemplar com outros enfoques os problemas dos trajetos que nos guiam pela vida.

Rev. Nilson.

Published in: on agosto 19, 2009 at 11:56 pm  Comments (9)