Quando nossas portas se fecham

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Quando nossas portas se fecham no final do dia, voltamos a ser somente nós mesmos, e mais nada. É nessa hora que refletimos sobre o que vivemos, sobre as pessoas que nos rodeiam e o que representamos. Nestas ocasiões é que os dramas pessoais afloram… as amarguras, mas também é quando nos reencontramos com nossos sonhos e esperanças. Com a porta fechada, podemos nos despir e nos mostrar… sem disfarces e máscaras.

Este ambiente que temos conosco mesmo é muito íntimo, muito pessoal e inatingível pra quem fica atrás da porta… e normalmente nos escondemos de todos ao entrarmos nele.

Assim como nós, as pessoas que convivem conosco também tem esses refúgios, onde as razões que as movem reaparecem… os motivos que as fazem chorar, sorrir e viver. Isto é segredo pra nós, mas quase sempre nos atinge também.

Há quem seja ativo, alegre, forte, fora da porta e triste, frustrado e melancólico quando adentra por ela. Existem problemas familiares, lembranças, traumas, frustrações não públicas… ou solidão, insegurança, angústia, desgosto e até agonia que ficam lá. Existem pessoas que moram sem ninguém, sem ter com quem conviver, conversar, dividir, esperar e quem sofra de dores crônicas como a falta de realização ou de felicidade.

Mesmo que se esconda, ou se tente esconder, o que acontece porta adentro influi no que se passa porta afora, quando, sem motivo aparente, pessoas se insurgem contra outras a procura de uma vingança para suas dores internas… lançando fora frustrações e mazelas.

Por isso, parece complicado conviver sem tentar imaginar o que acontece por trás da porta de quem está ao lado… não com a curiosidade pertinente a nossa humanidade, mas com a sensibilidade de quem procura encontrar uma explicação para as aflições que circulam a convivência.

Precisamos buscar mais que justificativas, precisamos discernir as motivações que corroem um coração sofrido que, mesmo agressivo, é passível de misericórdia e cuidado.

Assim foi que Jesus tratou de seus relacionamentos… perscrutando mais o que havia atrás da porta de cada um do que na aparência crua… entendendo, mais que julgando, sofrendo mais que se ofendendo, andando segundas, terceiras milhas, num oferecimento solidário de consolo e compaixão.

Rev. Nilson.

Published in: on abril 24, 2009 at 12:18 pm  Comments (1)  

Um outro carpinteiro

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Como se diz por aí, só não nasci na Igreja porque não era dia de culto. Sou o segundo filho de uma família ‘carola’… daqueles tipos ‘crentões’, mesmo. Meu Pai foi Presbítero da Igreja Presbiteriana, onde participava, com minha mãe, do coral da Igreja, que depois se transformou num quarteto. Minha mãe foi ativa também, foi presidente do grupo de mulheres algumas vezes. Como era de esperar, eu segui o mesmo caminho… aos quinze anos, migrei para a Igreja Metodista, onde conheci minha esposa, me casei, batizei os filhos e me tornei pastor – nesta ordem.

Foi na Igreja Metodista de Bandeirantes, no Paraná, que meu avô e minha avó se tornaram evangélicos em 1947 e nunca mais deixaram de ser. Por várias questões, meu avô se tornou Assembleiano – questão de gosto. Varias vezes o acompanhei em sua igreja… na maioria das vezes, íamos a pé… meu avô sempre usava terno e tinha uma grande dedicação pela sua religiosidade. Lembro-me com saudades de suas orações… ele e minha avó tinham por hábito fazer cultos domésticos pela manhã e à noite. Curiosamente, meu avô lia sempre o mesmo texto bíblico… lembro-me bem, era o Salmo 91… “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo…”. E todas as vezes, ele repetia a mesma oração… aquilo ficava marcado na gente… pela simplicidade e pela devoção… não importava quem estivesse em casa, o culto sempre acontecia… de manhã e à noite.

Existia um profundo significado em ser cristão… tudo girava em torno disso… a vida era, de fato, guiada pelo intenso desejo em praticar a “vontade de Deus”. As pessoas em volta, vizinhos, conhecidos, logo identificavam quem era ‘crente’… o que não era fácil… existia discriminação, diferenciação… mas, em compensação, a sociedade em geral valorizava isto de maneira irônica… ao mesmo tempo em que éramos alvo de chacotas, nos respeitavam pelo testemunho, pela seriedade na moral, nos negócios. A gente era diferente e fazia diferença.

Depois de muitos anos, e já se vão 27 anos sem o meu avô, tento descobrir o que o fazia especial, afinal, foi um homem simples, quase que totalmente sem cultura, com pouquíssima escrita e quase nenhuma leitura… um homem, realmente, simples de espírito. Algumas coisas ainda me fazem mais intrigado… em suas pregações e testemunhos, ele não se cercava de ‘referências’ – várias vezes o vi pregando na igreja – nem sabia o que era contextualização, hermenêutica, exegese… antes, falava de coisas simples, naturais ao povo que ouvia… contava de seu dia a dia, das lições que tirava em seus dramas… falava de histórias vividas por ele, pelos seus pais, conhecidos, irmãos de igreja… sua mensagem era pura, sem erudições, sem frases impactantes, mas tinham tanto efeito… pessoas eram curadas de seus medos, angústias, desespero.

E pensar que nossas histórias – evangelicamente falando – passaram por gente assim… e que a Igreja foi sustentada por eles… cresceu através de suas vidas… marcou seu tempo, fez história. Posso dizer que conheci um pouco do que o apóstolo Paulo chama de “a simplicidade e a pureza de Cristo” (2 Cor. 11.3)… um evangelho sem recortes, sem ‘arte’, sem ‘estratégias’, sem ‘cultura’… que era demonstrado só com a vida, mais nada… e, talvez, por isso mesmo, tocava tantas pessoas… trazendo sentido, esperança, alegria, paz, vontade, pé no chão e, o melhor, salvação!

Olhando para o nosso tempo, que se considera tão evoluído, penso: quem dera tivéssemos o desprendimento de não transformar nossas mensagens em demonstração de conhecimento teórico… contássemos histórias, fatos, acontecimentos, como Cristo, que pudessem ser contados com nossa emoção e espiritualidade… falando mais do que somos e não somente do que lemos… tivéssemos testemunhos ao invés de erudição…

Quem dera tivéssemos a coragem de sermos como foi meu avô… um João simples… um outro carpinteiro, como Jesus… modesto, humilde, como os discípulos de Cristo, e, como eles, anunciador de sua própria experiência, de sua própria alegria… capaz de não se deixar corromper pelo próprio pensamento, como sugeriu o apóstolo no mesmo texto citado.

Rev. Nilson.

Published in: on abril 22, 2009 at 12:13 am  Comments (1)  

Água mole em pedra dura…

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Há quem não aceite a estratégia persistente da água que, apesar de ser fraca e sem a rigidez da pedra, tanto insiste em sua intenção que acaba por esculpi-la. Esta imagem, relatada no ditado popular é mais que o retrato da sabedoria simples do povo. A meu ver, a frase, a muito repetida, revela a realidade de quem se depara, em certas situações, com uma única opção, perseverar.

A água, um dos elementos mais nobres da vida, sugere diversas realidades como, o refrigério num dia quente, a possibilidade da limpeza, o relaxamento… de alguma forma, também, pode significar a insegurança, a falta de sustentação… sem dúvida, a água tem a representação da vida, da natureza, do alimento, que é, na maioria das vezes, preparado através dela… e por ela germinam as sementes, surgem os peixes, garante-se a saúde dos animais e, por conseqüência, da humanidade. Apesar disso tudo, a água é leve, maleável, condutível… afinal ela não impõe caminhos, antes se curva às intenções dos rios, dos lagos e mares… a água é generosa… parece não ter grandes metas… deixa-se levar… segue o curso, sem se preocupar aonde chegar.

Talvez, por isso, seja difícil aceitar a afirmação do ditado… que fala de uma água que fura a rocha… que bate e persiste.

As pedras são insensíveis… frias… estáticas, inflexíveis… param e permanecem em sua rigidez, sem temer nada, sem se importar com nada… são imóveis, quase sempre, pesadas, sem ação, sem reação, fortes, difíceis e complexas. Por isso é tão difícil tê-las pelo caminho… pois, diante delas, só mesmo a tolerância, a compreensão, a paciência representada tão gentilmente pela água. Existem algumas possibilidades diante das pedras. Ceder, como a água ou explodir, como a dinamite.

Alegoricamente, somos como estas figuras. Alguns de nós somos frágeis como a água… pacienciosos, calmos, generosos, acessíveis, pacíficos… outros, como as pedras, densos, fechados, difíceis e inflexíveis. E o drama do rio, que se constitui de água e pedras, se repete na vida… e o que fazer diante das ‘pedras’ do caminho?

Há quem opte pela estratégia da água… dando volta, flexibilizando, sendo maleável… mas, também, existe que prefira agir como a dinamite… explodindo, abrindo caminho a qualquer custo.

Mas o ditado, nos dá uma terceira via… a da água teimosa, que, apesar de ser tolerante, gentil e frágil, sabe insistir, com paciência e persistência em seus ideais. Este caminho, que trabalha com tempo, temperança, resignação e tática, parece dar os melhores resultados. A beleza de muitos rios está nas esculturas feitas nas pedras, pelas águas que, pouco a pouco, transformam ranhuras em arte.

As estalactites, por exemplo, são formações rochosas sedimentares que se originam no teto de uma gruta ou caverna, crescendo para baixo, em direção ao chão da gruta ou caverna, pela deposição de carbonato de cálcio arrastado pela água que goteja do teto, com formas tubulares ou cônicas, enquanto que as Estalagmites são formações que crescem a partir do chão
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Lembremos também dos grandes ‘canyons’, que são gargantas rochosas imensas produzidas pela ação erosiva das águas… são nada mais do que maravilhas da natureza produzidas pela paciência e determinação de muitas águas.

Assim, podemos concluir que a estratégia teimosa da “água mole em pedra dura…”, é menos dolorosa e mais artística, menos violenta e mais bonita, além de ter a grande virtude de ser generosa, harmoniosa.

Não é fácil conviver com as pontas cortantes das pedras… mas, talvez, se tivermos a perseverança e a disposição da água, poderemos gerar ambientes mais agradáveis e construir, uns nos outros, belas obras de arte.

Rev. Nilson.

Published in: on abril 18, 2009 at 2:08 pm  Comments (3)  

14 de Abril… aniversário da Márcia…

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Da pessoa que amamos, existe uma maciez na pele, um tom de cabelo, uma expressão dos olhos… uma cor, um timbre e um encanto que só a gente vê…

Dela, não vemos defeitos, só características… não registramos amarguras, exageros… tudo se equilibra com um toque de tolerância.

Essa pessoa que amamos é sempre única, e sempre mais que qualquer outra… mesmo que seja pequena ou simples… porque é nossa, é parte, complemento…

O que vemos nela é mais do que ela é, pois a aparência pura não consegue abranger os muitos significados que a pessoa que amamos tem pra gente… mais que tudo, é quem amamos, é quem queremos… quem completa a gente e faz a gente ser como é.

Rev. Nilson.

(mais…)

Published in: on abril 14, 2009 at 11:21 am  Comments (6)  

O julgamento de Cristo

a-sentenca-de-cristoJesus não foi aborrecido somente no momento da cruz, durante todo o seu ministério foi perseguido por duas classes sociais/religiosas de seu tempo: os escribas e os fariseus. Os escribas eram homens que copiavam e interpretavam a lei de Moisés (Ed 7.6) além de criarem um sistema complicado de ensinamentos conhecido como “a tradição dos ANCIÃOS” (Mt 15.2-9). Eles eram chamados também de “doutores da lei” (Lc 5.17). Os fariseus eram membros de um dos principais grupos religiosos dos judeus e seguiam rigorosamente a Lei de Moisés, as tradições e os costumes dos antepassados (Mt 23.25-28) além de não se darem com os SADUCEUS, um grupo formado por pessoas ricas e sacerdotes que se uniram com eles para combater Jesus e os seus seguidores (Mt 16.1).

Se Jesus teve inimigos declarados, podemos dizer que se chamavam escribas e fariseus. Eles foram os grandes responsáveis pelo clima de condenação que Jesus viveu nas últimas semanas de sua vida terrena.

Mas, qual foi o pecado dessa gente, afinal, eles não eram religiosos, não conheciam como ninguém a Lei de Moisés? Seu pecado foi julgar mais que ouvir, criticar mais que crer. O julgamento é algo tão perigoso, que, oficialmente, somente o/a juiz/a tem esta função. Lamentavelmente, o povo, por sua própria conta e risco, tomou para si esta tarefa… julgando e sentenciando pessoas, segmentos e pensamentos. Um agravante no julgamento popular é que não existe qualificação, o/a juiz/a, ao menos, gasta anos se preparando para julgar e, quando o faz, estuda, cautelosa e profundamente o caso – ao menos é isto que se espera.

Os escribas e fariseus julgavam sempre! Cada frase… mesmo que ela não estivesse completa… cada ação, mesmo que fosse bem intencionada. Viviam espremidos no meio do povo, como aves de rapina, prontos para anotar tudo, mesmo que fosse de maneira distorcida. Os evangelhos estão repletos de exemplos desta perseguição implacável… vemos em vários textos as ações maldosas desta gente contra Jesus: Eles julgavam (Mt 9:3), desafiavam (Mt 12:38), satirizavam (Mt 27:41), censuravam (Mc 2:6), tramavam (Mc 14:1), reclamavam (Lc 5:30) procuravam acusação (Lc 6:7), buscavam confundir (Lc 11:53), queriam matá-lo (Lc 19:47), queriam prendê-lo (Lc 20:19), acusavam (Lc 23:10) e inflamavam o povo (At 6:12 ).

Jesus foi sentenciado e crucificado… foi torturado, judiado ao extremo… quem assinou sua sentença? Não sabemos quem assinou, mas, certamente, quem elaborou foram aqueles religiosos que não tiveram boa vontade de ouvir e ver o que Ele pregava e fazia.

Por certo, devemos refletir sobre o sacrifício de Cristo nesta Páscoa mas, também, pensar sobre sua condenação… o contexto em que ela foi arquitetada… de onde partiu, por quais motivos e interesses e perceber as condenações que também arquitetamos em nossa religiosidade… avaliando, se não repetimos, em nossos redutos de ‘santidade’, o mesmo equívoco dos escribas e fariseus.

Rev. Nilson.

Published in: on abril 8, 2009 at 1:00 am  Comments (2)  

Salmo 23 (pelo dia do pastor/a)

(Paráfrase de uma ovelha)

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Preciso de um pastor…
que tenha consciência de seu chamado, vocação e se aceite como tal…
que me ajude, me cuide, me alimente, por que eu tenho fome, carências.
Alguém que me proporcione um lugar de descanso,
que me dê uma casa, um abrigo, que me acolha…
e me guie em direção a mim mesmo, para reencontrar minha alma, emoção e espiritualidade…
um guia para os caminhos da vida… de forma que eu saiba honrar o nome de Deus onde estiver.
Então poderei enfrentar os caminhos perigosos sem medo…
pois saberei que tenho um apoio, uma segurança… uma presença que me consola e me incentiva.
Preciso de alguém que me traga alegria nas horas de aperto…
que me ajude a pensar coisas boas…
ter sonhos, planos.
Preciso de alguém que me queira bem,
que seja bondoso,
e me faça saber disto sempre,
para que este sentimento me envolva em todo o tempo,
e eu queira estar na Casa de Deus todos os dias da minha vida.

Rev. Nilson.

Published in: on abril 6, 2009 at 11:10 am  Comments (1)  

G7,G8,G12,G20… os grupos de salvação.

g20 Este 02 de abril foi marcado por um evento de muita importância política. Trata-se da reunião do G20. O grupo, formado pelo Banco Central e ministros da economia de 19 países mais a União Européia, foi criado para o debate entre países emergentes e desenvolvidos acerca de temas como o desenvolvimento econômico e sistema financeiro. O primeiro encontro aconteceu em 1999, em Montreal, no Canadá e é constituído por Alemanha, África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coréia do Sul, EUA, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia, Turquia e União Européia.

Entre os assuntos tratados, os mais importantes são: Desacordo sobre os remédios para a recessão mundial, Reforço da regulação do setor financeiro, Luta contra paraísos fiscais, Remuneração de banqueiros, Aumento dos fundos do FMI para ajudar os países mais frágeis, Rejeição a medidas protecionistas, Questão do câmbio. Há, porém, um dado ainda mais expressivo: este “grupo de amigos ricos”, ou em enriquecimento, irá disponibilizar para o mundo, cerca de 5 trilhões de dólares na tentativa de tampar o enorme rombo da crise econômica instalada. Apesar da injeção financeira, ainda não se sabe como e onde estes recursos serão aplicados.

Este cenário todo, pintado em Londres, com direito a jantar dos “Chefes de Estado” com a rainha (Elizabeth 2ª), nos lembra, de maneira mais próxima, do que vivemos em nosso dia a dia… de nossas crises pessoais, familiares, profissionais… dos conflitos que são normalmente engenhados pelas mesmas ambições, vaidades e intenções dos/as que ajudaram na derrocada do setor financeiro mundial. Cá, como lá, existem fragilidades humanas, pecados, erros, mal intento, e fracasso. Normalmente, a casa edificada sobre a areia, não subsiste por muito tempo e, seja no Brasil ou em Londres, na bolsa de Chicago ou na intimidade do nosso lar, existem dias que a depressão e a tragédia, de alguma forma, chegam para nos visitar.

Normalmente, quando as infelicidades aparecem, surge a idéia de se formar um grupo, um grupo salvador… para estes momentos, é comum convidar pessoas teoricamente mais sábias, ou mais experientes, ou ainda, pessoas que ‘tenham intenções mais puras’, que sejam ‘mais fiéis’, que possuam mais ‘conhecimento’ ou ‘que tenham mais proximidade com o divino’. Se o ambiente for financeiro, político, os grupos são como este, reunido em Londres, se familiar, chamam-se tios/as, pais, mães, avós… se isto acontece na igreja, levantam-se os grupos de conselheiros, de oração, de liderança.

Assim caminha a humanidade… formando grupo aqui, grupo ali… hora depositando esperança aqui, hora, depositando lá, à busca do que lhe dê uma direção mais convincente, ou conveniente.

Contrario a isto, a Bíblia não nos passa a intenção dos grupos salvadores… não da maneira que se vê… os grupos bíblicos são formados na dinâmica de uma naturalidade calma… onde todos/as tem a mesma condição, a mesma obrigação e direito. Acredito que quando Jesus se retira, não o faz para formar uma reunião particular, antes, Ele se reúne com Deus para buscar a inspiração que o faça ainda mais servo, mais participativo, mais comum e natural. O grupo dos discípulos, a meu ver, não é um grupo fechado, restrito, antes, é um movimento de pessoas que aceitaram uma proposta nova… uma boa nova… e a lição deles, não é a de que se deve formar redutos de sabedoria, de conhecimento, de reflexão ou de santidade, antes, espalhar a santidade bíblica, a sabedoria, o conhecimento e a reflexão crítica no cotidiano das pessoas. Dados históricos nos levam a crer que os/as seguidores/as de Cristo foram bem mais do que os doze citados nos escritos bíblicos… o número 12 é mais uma representação simbólica, com significado importante para a cultura da época, do que um fato. Possivelmente os/as discípulos/as formaram uma pequena multidão.

Não há como viver sem grupos… eles se formam naturalmente, segundo os interesses e preferências, mas, não se pode restringir a este ou a aquele grupo a salvação, ou a esperança dela, ou certeza, ou devoção. O grupo de Deus deve simbolizar a igualdade de potencialidades em meio à diversidade que resulte em obrigações… a responsabilidade de todos/as para a construção de uma salvação que atinja a todos/as.

Espero chegar o dia em que as significações de esperança, salvação ou devoção, não se restrinjam a este ou àquele grupo… mas que elas se firmem em coisas naturais, pequenas e pessoais… e que se construa, no esforço comum, no envolvimento de todos/as, na seriedade e na honestidade mútua um ambiente de esperança, capaz de salvar o mundo dele mesmo.

Rev. Nilson

Published in: on abril 2, 2009 at 10:19 pm  Comments (2)