Termostato emocional

termostato

O termostato é um dispositivo destinado a manter constante a temperatura de um determinado sistema, através de regulação automática. A função do termostato é impedir que a temperatura varie além de certos limites preestabelecidos. Um mecanismo desse tipo é composto, fundamentalmente, por dois elementos: um indica a variação térmica sofrida pelo sistema e é chamado elemento sensor; o outro controla essa variação e corrige os desvios de temperatura, mantendo-a dentro do intervalo desejado. Termostatos controlam a temperatura dos refrigeradores, ferros elétricos, ar condicionado e muitos outros equipamentos.

Este aparelho discreto é como uma chave de segurança, garantindo que a temperatura de um determinado aparelho não extrapole. Sem isso, certamente, haveria tragédias em nosso dia a dia… poderíamos, por exemplo, ver incendiar o ferro elétrico ou mesmo sofrer uma hipotermia em ambientes com ar condicionado.

A figura desse aparelho nos faz pensar em outras áreas da vida que também tratam com a temperatura, exemplo disso é a nossa emoção. Qualquer pessoa já deve ter ouvido alguém dizer que “está a ponto de explodir”, como um aparelho sobrecarregado. De alguma maneira, absorvemos as tensões e as transformamos em energia que também podem ser cumulativas e nos aquecer e nos levar a um colapso.

É aí que entra a função do termostato emocional, que precisa estar bem calibrado para regular as temperaturas dos nossos sentimentos para nos preservar das perigosas panes da alma.

Precisamos ter algo que nos ligue para enfrentar momentos onde nossa energia é suficiente, mas que também nos desligue quando a corremos o risco de sobrecarga.

O apóstolo Paulo parece nos aconselhar nesse sentido ao dizer que devemos lançar “…sobre ele toda a (nossa) ansiedade, porque ele tem cuidado de (nós)” (1 Pe 5.6), como quem dissesse, não tente chegar a temperaturas que não pode resistir, use o termostato chamado Deus para te proteger de uma catástrofe.

Infelizmente muitas pessoas deixam a temperatura subir demais causando impactos complicados para sua saúde… não usam o termostato, não desligam quando as coisas vão se complicar, levando às últimas conseqüências o que poderia ser levado de maneira mais branda, harmoniosa e conciliadora.

Acredito que precisamos de uma ferramenta dessas, que nos ajude perceber que, certos assuntos, não podem ser tocados de uma vez só, de forma direta… é preciso dar tempo para a nova temperatura não queimar as vias da confiança, da fraternidade e da paz.

O termostato liga e desliga o aparelho para preservá-lo… o aparelho é mais importante do que o frio ou o calor que ele possa produzir… por isso, ligar e desligar é uma atitude saudável e até vital.

Devemos aprender a ligar e a desligar na hora certa para sermos geradores de bem-estar.

Não podemos deixar a temperatura de nossa ansiedade acabar conosco… é preciso dominá-la e bem utilizá-la para que nossa emoção seja conservada.

Que Deus nos ajude nesta tarefa… nos capacitando com um liga-desliga emocional.

Rev. Nilson.

Published in: on novembro 14, 2008 at 11:12 pm  Comments (2)  

Conversando com o diabo

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A sociedade brasileira ainda vive sob a triste lembrança do desastroso seqüestro das jovens Eloá Pimentel e Nayara Silva, ambas de 15 anos, mantidas por 05 dias dentro de um apartamento. O seqüestrador, o ex-namorado de Eloá, Lindemberg Alves, de 22 anos, colhe, a partir de agora o fatídico resultado de sua insanidade, a prisão.

Muito se falou sobre a conduta do GATE – Grupo de Ações Táticas Especiais – órgão da polícia, especialista em negociações deste tipo. Os diversos seguimentos da imprensa se aproveitaram do lamentável desfecho para buscar culpados o mais rápido possível.

Tudo foi questionado. As estratégias de negociação, a demora, a forma da invasão. Mais que depressa os diversos especialistas da área vieram a público dizer onde estavam os erros e quais os motivos da inexplicável morte da menina.

A novidade deste episódio policial foi a publicidade. Um seqüestro transmitido pela TV. Houve até entrevista ao vivo com o criminoso. Várias emissoras disputaram a exclusividade da palavra de Lindenberg. Microfones e holofotes para o torturador. Alguns apresentadores foram ‘todo ouvidos’, como que se entrevistassem um “pop-star”.

Segundo Marcos Val, especialista em negociação e instrutor na Swat de Dallas – EUA, houve muita conversa entre bandido e polícia. Ele alega que “a negociação mais longa que a Swat de Dallas fez até hoje durou nove horas. A partir daí é invasão” .Talvez este tenha sido o maior erro, tentar negociar com quem não merecia crédito.

Isso tudo nos faz pensar também em nossa própria vida… nas situações em que estamos frente a frente com as ameaças, na iminência da morte de nossa ética, da nossa paz, da nossa dignidade e, assim mesmo, inexplicavelmente, damos conversa para o diabo , na prática, àquilo que nos desumaniza, nos separa do equilíbrio, nos tira da rota da felicidade. Momentos em que brincamos com o tempo, a despeito da urgência da vida, desvalorizamos a suspeita, desmistificamos a dor.

Há quem se considere suficientemente forte e perspicaz para manter conversação com o que corrompe a alma, a vida, como se fosse possível dialogar com a personificação do engano.

Falar com o diabo, em suas diversas formas, é mais comum do que possa parecer. Não se pode viver num mundo decadente sem esbarrar com as tentações da existência. Não há erro em ser tentado, o erro está em nutrir esperanças de que seja possível dar ouvidos às ilusões e, mesmo assim, sair ileso, sem perdas e desgastes.

Jesus também falou com o diabo … mas nem por isso deu tempo a ele, se deixando levar por seus argumentos. Não se alongou, antes disso, demonstrou suas certezas e o que cria. Jesus não se sentou pra uma conversa com quem não merecia, fazendo-nos entender que, certos diálogos não fazem parte da rotina de quem almeja uma vida íntegra.

Não se dá conversa para o demônio… relacionar-se com ele é o mesmo que se abrir para a guerra, a indiferença, a violência, a arrogância, o desrespeito e a mentira.

Não podemos nos enganar com a falácia de quem se levanta contra a vida… para isso não existe negociação. Não podemos gastar nosso tempo e atenção com quem tem parte com o dolo, sob o risco de perdermos a vida, a paz e a felicidade.

Rev. Nilson.

Published in: on novembro 4, 2008 at 9:51 pm  Comments (23)