Sempre haverá.

Haverá sempre uma incerteza para nos visitar nas manhãs mais ensolaradas… e um acalanto para nos consolar…

Haverá sempre uma dúvida para nos ajudar na suspeita e um pouco de credulidade para nos possibilitar a vida…

Haverá sempre uma surpreza para nos tirar a paz… uma dor pra nos fazer chorar e um desconforto para nos impedir de parar.

Haverá muito mais do que esperamos para nos fazer crer e algo que pareça menor que nos ensine a dimensão do agradecer…

Haverá sempre uma nova amizade para nos encher de esperança e sempre um novo conhecer em cada momento.

Haverá sempre uma fome de um não sei o quê e uma vontade do que ainda não se tem…

Uma paz inesperada, uma solidão inexplicada, uma tristeza repentina, uma alegria incomparada…

Haverá sempre a vida mal encerrada e a morte inconformada…

Haverá sempre Deus e sempre a fé… haverá sempre o choro e a espera… haverá sempre a dúvida e sempre a paz…

Haverá sempre um nada e um recomeçar.

Rev. Nilson

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Published in: on julho 31, 2008 at 6:15 pm  Comments (1)  

“Se livrar do Pacote”

É de estontear… um bebê de 8 meses morreu, na noite desta segunda-feira (30), ao ser jogado pela própria mãe do 6º andar de um prédio no Centro de Curitiba. A mãe da criança, Tatiane Damiane, de 41 anos, foi presa em flagrante após confessar o crime. O pior disso foi que teria dito que precisava se livrar do “pacote”.

Segundo as primeiras evidências, a mulher apresenta muita desorientação e sinais de ser desequilibrada.

Estando ou não perturbada, o fato é que a motivação principal daquela jovem senhora para praticar o ato, foi “se livrar”, daquilo que chamou de “pacote”.

É preciso parar diante de um acontecimento desses e perguntar se a causa desse lamentável episódio não tem percorrido o imaginário popular, se de alguma forma, a sociedade em que vivemos, não age como uma mãe lunática, descartando pacotes indesejáveis.

Os ‘pacotes’ são variados… e, dentro da nova sociedade – que se caracteriza por valores como mercado, disputa, poder, ganho, sobrevivência – são identificados como discordantes, diferentes, descontentes, protestantes.

O fato extremo é confundir gente com pacote e, para “mal dos pecados”, isso é recorrente. No porão da justiça social e cristã, ocorrem os descartes… de pessoas, famílias, crianças, jogadas à margem dos processos… porque “não atendem” interesses e demandas.

Pessoas são transformadas em “pacotes” sob a forte alegação de que nem todos/as se enquadram em todos os lugares, que existem exigências para aceitação e manutenção de quadros, de que no mercado, há de se ter silhueta adequada para cada ação, ou seja, existem causas comerciais, técnicas e econômicas para justificar os descartes, as coisas não são feitas ao bel prazer… existem motivos que justificam o lançamento de pacotes pela janela!

Como cristão penso em Jesus e em seus critérios… no relacionamento com os discípulos… pessoas tão humanas quanto nós… como deve ter sido complicada a convivência com Pedro, em seu impetuoso modo de fazer as coisas – quantas situações difíceis deve ter protagonizado – Judas, com sua malícia… mas Jesus resistiu ao que podemos chamar de “tentação de lançar o pacote pela janela”.

Afinal, é preciso aceitar que de diversas maneiras, somos todos/as pacotes, falhos, pobres e defeituosos, mas creio que muitos/as discordam de mim, envaidecidos/as de suas qualidades e virtudes.

Mais que isso, somos, em Cristo, pacotes recuperados das quedas que as janelas da vida, do mercado, do preconceito e do desamor nos causaram. Cada um/a de nós tem janelas e tombos pra contar!
E se não aceitamos isso, como parte de nossas vidas, somos passíveis do desequilíbrio e nos tornamos lunáticos/as… assassinos/as em potencial… porque, no conceito cristão, quem mata não é somente quem lança o/a outro/a pela janela, mas, quem pensa em lançar!

Espero que tenhamos a lucidez de olharmos aquela mulher enlouquecida e desorientada com tristeza, por ela e por nós, porque, repetidamente somos portadores/as da mesma loucura… pois, se não na prática, na intenção mais íntima, somos assassinos/as também, no devaneio de querermos e, muitas vezes conseguirmos, tirar pessoas do nosso caminho de ambição.

Que Deus nos perdoe… e nos livre de nós mesmos/as.

Rev. Nilson.

Published in: on julho 3, 2008 at 1:10 pm  Deixe um comentário