O que fazer com os bancos velhos.

07.01.2008

Nesses tempos de recomeços e desafios de um novo ano, lembro de um relato que ouvi há muitos anos de um colega pastor que foi transferido para uma igreja centenária.

Além de sentir um esperado tradicionalismo da comunidade, notou que os bancos do templo eram demasiadamente antigos e desconfortáveis. Não sei ao certo quando, se no primeiro ou no segundo ano de trabalho, o pastor resolveu propor uma campanha para a aquisição de novos bancos, o que causou esperança pra uns/umas e tristeza para outros/as, além de algumas crises de relacionamento.

Pelo que sei, os bancos foram substituídos, assim como o pastor, depois de um breve período.

O caso do colega me põe a pensar sobre a questão de que, certos assuntos, em determinados contextos, são extremamente importantes, mesmo que não pareçam e precisam ser tratados, especialmente para quem chega, de forma cautelosa.

Existem situações aparentemente simples… como bancos descascados, mas, absurdamente afetivas, como histórias e acontecimentos. Existem olhos práticos que miram demandas de formas práticas, sem perceber que existe sentimento de outras pessoas envolvidos naquilo.

O fato lamentável é quando o prazer da organização e da prosperidade sobrepõe, mesmo sem má intenção, a emotividade, o apego e a tradição de alguém… isto pode ser um problema sério.

Os dois lados podem ter razão, mas há que se encontrar lugar para o amor mútuo e a tolerância… existem processos que devem ser construídos com jeito, sem atropelos, com sensibilidade, porque podem ter a ver com a história e a lembrança de pessoas, e temos que respeitar coisas assim!

Bancos velhos precisam ser realmente trocados, mas porque não fazê-lo com tempo, com carinho, ouvindo e explicando, agindo e integrando, valorizando, promovendo e harmonizando?

Certamente, cada um de nós encontrará neste novo tempo bancos, cadeiras, púlpitos e cruzes para serem gerenciados, adequados… e, que tal procurarmos, antes de agir, de empolgar e lançar mãos à obra, olharmos para os lados, entendermos o contexto, a vontade e a emoção de cada pessoa envolvida?

Creio que muitos conflitos podem ser evitados se soubermos usar da boa vontade, de carinho e da compreensão com o que é alheio aos nossos sentidos e sentimentos…

Provavelmente teremos um ano diferente… com mudanças vestidas de harmonia, de alegria e satisfação.

Que o Senhor nos ajude a trabalharmos com os bancos velhos que temos pela frente e nos ajude a fazermos tudo o que precisamos pautados em sua graça e paz.

Rev. Nilson.

Published in: on janeiro 20, 2008 at 5:26 pm  Comments (1)