Nem tudo que move é sagrado.

28.12.2007.

Cá com meus botões, imagino que quando Beto Guedes escreveu a poesia da canção – Amor de Índio – tinha intenção de dizer que todos os bons sentimentos, especialmente os que atingem o coração, a emoção, tem um toque de sagrado.

Concordo com ele… existem momentos que, mesmo vividos distantes de um templo, percorrem o espaço reservado à religiosidade que reside dentro de cada um/a de nós… são majestosos pela sua simplicidade e pureza.

Lembro-me com grata satisfação de pessoas que desencadearam dentro de mim sentimentos assim… lembro-me de uma senhora, descendente de alemães, que freqüentava nossa comunidade na missão do Mato Grosso… recordo com alegria que numa de nossas festas, acho até que de Natal, ela veio participar conosco, toda produzida, trazendo com satisfação uma “Cuca Alemã” – deliciosa, por sinal, recheada com uvas inteiras. Aquele gesto foi significativo para nossa pequena congregação… uma lição que nos tocou fundo pela liberalidade e boa vontade dela.

Acontecimentos especiais são recorrentes… vivemos coisas assim no decorrer da vida… mas é preciso pensar que, ao contrario do que canta Beto Guedes, nem tudo o que nos move, nos emociona e nos faz chorar, tem relação com o sagrado.

Nesses anos de vida religiosa, tenho olhado para diversas experiências… as que mais me intrigam são as que movem as pessoas, as tocam, e que as confundem, as desorientam a ponto de transformar fatos comuns, humanos, em coisas santificadas.

Vejo gente que diante de um arrepio, vislumbram Deus – e quanta fé alicerçada em lágrimas e emocionalismo!

Crer assim, fatalmente, fragiliza a razão, a lógica, a prudência. Ter uma crença suscetível aos micróbios da ilusão faz com que não se tenha noção do ridículo, não se tenha limite, medida.

Talvez, por isso mesmo, por se deixar mover por essa onda, um considerável número de pessoas tem caído nas teias do engano e, pior, da decepção e do fracasso. Assim, decepcionados/as com “Deus” – que nunca associou fé à emoção – distanciam-se d’Ele, verdadeira fonte do que seja sagrado, eterno e divino.

Nem tudo que move é sagrado! O contexto bíblico demonstra isto com total clareza no relato de Mateus (7.21) quando o próprio Cristo afirma: “ Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus (…) Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade.”. Em outras palavras, podemos garantir, não bastam as manifestações, as declarações públicas, se não houver sintonia, coerência com as coisas do Poderoso… mesmo que sejam fatos emocionantes, mesmo que desencadeiem processos comoventes, tocantes… mesmo assim, podemos estar diante de coisas que movem nossa alma, mas não tem parte com Deus… são apenas produções humanas.

Quantas comunidades são dilaceradas por crer demais… em tudo que move… em cânticos que movem, em tons de voz que movem, em gestos, sinais, “prodígios”, motivações, interpretações…

Quantas pessoas amigas vemos caindo no engodo de confundir Deus com engano… de trocar a pacífica presença da verdade, pela emocionante melodia de interesses humanos!

Sinto contrariar os/as que continuam crendo que Deus, bênção, está no “tudo” que o “mercado religioso” tem oferecido, mas preciso propor, por amor e por responsabilidade que neste início de ano, possamos reorganizar dentro de nós os padrões do que seja sagrado e benéfico para nossa fé.

Entendo que assim teremos oportunidade de esperar um ano – especialmente no ambiente cristão – mais coerente, menos leviano e mais substancial.

No desejo de um Novo Ano voltado para a graça, a paz e para tudo o que, de fato, tenha a ver com O Sagrado.

Rev. Nilson.

Published in: on dezembro 29, 2007 at 10:19 pm  Comments (6)  

Natal sem juízo.

07.12.2007.

“Vê se cria juízo, mas não muito!”. Foi o que ouvi do estimado Prof. Boaventura, enquanto brincava com uma aluna. A descontração do mestre me pôs a pensar, especialmente nesse momento de advento, lembrando a vida de Cristo.

No relato dos evangelhos nos deparamos com várias quebras de paradigmas, a começar do casamento de José e Maria. Na dura realidade, Maria se casou grávida, fato inaceitável na cultura Judaica da época… José precisou recorrer à fé para superar o que poderia se tornar um grande drama em sua vida.

A infância de Jesus é pouco contada, mas quando o encontramos, aos doze anos, descobrimos um menino à frente de seu tempo… que se dirigia aos mais velhos e, até discutia sobre a lei com os mais entendidos.

Na maioridade, Jesus transpõe todos os limites de sua cultura… questiona os mandamentos, as autoridades, rompe as barreiras da tradição, da lei e da lógica. Alimenta multidões com escassez, realiza curas, faz milagres, transforma pessoas.

Tudo que é racional, coerente e explicável para o mundo de Jesus, parece não se encaixar com sua forma de falar, interpretar e viver.

A cena da cruz, para quem conviveu com Cristo, poderia até representar o fruto de uma “falta de juízo”… que resultou em prisão, tortura e morte.

O que parece juízo perfeito para Cristo é juízo imperfeito para a sociedade, e vice-versa.

Pensemos bem… acreditar em igualdade, em solidariedade, partilha, unidade e simplicidade, pode nos parecer coisa de quem tem “juízo perfeito”?

Vamos aprofundar… nutrir esperança, praticar hospitalidade, querer bem, desejar sucesso, trabalhar para o bem comum, é natural para a humanidade?

Não.

As coisas que Jesus creu, falou, viveu, não são pra qualquer um! Não é possível ser considerado “perfeito”, amoldado, enquadrado, “correto” – para os moldes do mundo contemporâneo – alguém que possa ser chamado cristão, de fato, de verdade.

Talvez, por isso, tenha me chamado tanto a atenção a brincadeira do ilustre professor… não é bom mesmo, para um/a cristão/ã comprometido, ter juízo perfeito – a partir do juízo comum.

Há que se ter juízo imperfeito, inadequado e incorreto para a maioria das pessoas, para poder chamar-se, de fato, cristão/ã… há que se lutar por justiça, por direito, verdade e ética… contrariar certas vontades, romper paradigmas, transpor alguns limites da lógica para poder amar, comungar, repartir… salvar.

Neste tempo de Natal, fico com o conselho… preciso criar juízo, mas não muito… não a ponto de me engessar, me restringir, me impedir de pensar, sonhar, trabalhar e querer o cristianismo vivido por Jesus. Penso se esta não seria também uma das sugestões do Natal, um dos motivos de ter Cristo se tornado um de nós… nos fazendo repensar sobre uma nova lógica… aparentemente distante das normalidades que temos, porém tão próxima do Criador.

No desejo de um Natal cheio de graça e paz,

Rev. Nilson.

Published in: on dezembro 25, 2007 at 12:10 pm  Deixe um comentário  

Filho do deserto.

17.12.2007

Ouvi alguém afirmar que “a igreja acaba de sair de um deserto de 40 anos”. Fiquei pensativo. Eu nasci nesse deserto. A maioria dos/as pastores/as que ouviram comigo também. Éramos uma platéia que, quase na totalidade, se compunha de filhos/as desse deserto.

A afirmativa tinha tom de crítica. O deserto mencionado, trazia uma conotação de marasmo, de inércia ministerial, de fracasso e escassez – foi o que senti. No mesmo instante lembrei-me de todas as minhas experiências como membro leigo e, agora, clérigo. Pensei nas pessoas que conheci nas idas e vindas da igreja… nos congressos, nos acampamentos, nas decisões… nas curas, testemunhos… nas igrejas e templos que vi nascer… tudo isso foi classificado sumariamente de “deserto”.

Pensei que a maioria dos nossos bispos e a bispa, tiveram suas vocações confirmadas nesse “deserto”… as igrejas emancipadas, a evolução da missão em nossa região… os acadêmicos de teologia, as Instituições, seus sucessos e fracassos. Tudo “deserto”!

Lembrei-me dos Projetos Missionários – filhos do tempo de deserto – de seus/suas líderes… suas doações, do tempo gasto, das centenas de pessoas que custearam, investiram seu tempo, sua profissão, seu dom, sua vontade, seu amor, carinho. Tudo “deserto”.

Fiquei em dúvida. E os pastores aposentados que pregaram a mensagem cristã nos últimos anos, nessas exatas quatro décadas que terminaram agora? Seu trabalho foi em vão… seu sacrifício… suas vocações eram balela?

Olhei para a história bíblica… refleti sobre o deserto. O povo do deserto… a presença de Deus… o alimento que caiu do céu, a sombra preservou suas vidas do calor, a água que nasceu da pedra, a transposição milagrosa do mar, o livramento do exército… será que não houve benefícios nesse deserto? Será que o deserto não lhes serviu de inspiração, de experiência, para o crescimento de sua fé?

Saímos de um deserto. Esta foi a afirmação.

Penso se foi bom ter saído do deserto… se é que vivemos nele, já que nunca me senti em deserto algum, a não ser, em alguns momentos, de desequilíbrio, de falta de domínio próprio e de razão.

Talvez, no meu entender, se é que estivemos num deserto, não deveríamos ter saído dele… quem sabe não careceríamos ver mais coisas acontecendo em nosso meio, como ver as águas das desigualdades se reencontrando para matar de vez nossas auto-críticas, que mais nos empobrecem do que nos ajudam. Se aguardássemos sair de alguma pedra, um tipo de água para refrescar nossas ambições pessoais… será que não nos retiramos cedo demais do deserto de nossas curas?

Quais são os sinais do deserto? Aridez, sequidão? Estivemos áridos? Eu não me senti assim em nenhum momento de minha caminhada cristã… pelo que medimos a aridez? Pelo número de pessoas que caminham conosco? Pois estou certo que existem muitos desertos no meio de grandes multidões… e, da mesma forma, verdadeiros oásis em alguns grupos inexpressivos.

Pra onde a distância do deserto nos levará? Certamente, nos levará para grandes batalhas! Lutaremos por terra, por espaço, brigaremos pelos despojos, assim como o povo de Deus fez no Antigo Testamento… reeditaremos os confrontos sanguinários, aplaudiremos quem for mais forte, ovacionaremos os novos “reis”, como Davi – pois Davi, apesar de ser considerado um homem segundo o coração de Deus, foi tolhido de construir o templo por ter sido sanguinário (1 Crônicas 22:8).

Voltaremos aos antigos reinados… seremos livres do deserto, mas não estaremos libertos uns dos outros… reinventaremos tribos, reconstruiremos clãs, redutos fechados… reeditaremos novas leis, novas condições… seremos um povo separado, sangrento e destruidor. Longe do deserto, seremos “invencíveis”!

Quanto a mim, filho assumido do deserto, manterei minha confiança pelo renascimento da Graça… de Cristo, do profeta dos pequenos grupos… do pastor de pescadores pobres… do que não foi chamado de grande líder, nem de senhor de grandes guerras… do que nos ensinou que, em certos momentos, é mais conveniente retirar-nos para os montes e desertos do que sermos tidos por senhores/as de multidões.

Na esperança de graça e paz,

Rev. Nilson.

Published in: on dezembro 21, 2007 at 10:40 am  Deixe um comentário  

Silêncio.

(a partir do Culto Pós-fúnebre do Aluno Diego Dadan, ocorrido em 10.12.2007 na Capela do Campus Taquaral da UNIMEP)

É hora de fazer silêncio.

Silêncio pelos mortos de minhas saudades…

Receber os amigos sem convite, sem festa…

É hora de entregar-me ao tempo que segue sem que se queira, que não volta, nem que se morra.

É hora de abaixar a cabeça, de postar as mãos, de fechar os lábios.

Não teriam sentido as palavras…

Melhor os gestos, os abraços…

É hora de fazer silêncio, só silêncio, mais nada.

Márcia Regina.

Published in: on dezembro 15, 2007 at 2:52 pm  Comments (2)  

Resolvi não temer mais nada.

07.12.2007

Certamente senti medo quando nasci, apesar de não me lembrar – nem seria possível – mas sei que na infância tive vários medos. Talvez o primeiro tenha sido do escuro, depois vieram outros… a cinta do meu pai, as broncas de minha mãe…

Tive medo de alguns colegas de escola. Lembro-me de ter corrido de algumas brigas… não recordo de ter apanhado deles – certas coisas é melhor esquecer. Também temi professores… tive uns/umas bem sisudos/as… daqueles que colocavam a gente de castigo no canto da sala.

Aprendi a temer Deus – que ironia – quantos/as me falaram de um Senhor mandão e castigador. Também nutri o temor pela Bíblia, entendendo-a como uma regra estável, fria e opressora.

Desenvolvi outros medos… uns bons, outros ruins… de errar, de pensar e deduzir, de ouvir, de querer, de lembrar, esquecer…
Descobri algumas coisas em mim que me causaram medos… intenções, reações, desejos. Assustei comigo mesmo em vários momentos…
amadureci.

No decorrer do tempo vivi questões que me fizeram entender certos horrores que construí e saber que o pânico nem sempre é justificável.
Agora repenso todos os meus temores e redescubro cada um deles… revejo um a um com outros olhos e reinterpreto seus significados… e compreendo que…

Não há porque temer.

Por que temer a dor, se ela só me alerta para as ameaças que tenho dentro de mim… a fome, se ela tem o dom de me mostrar o quanto sou frágil; a traição, se ela me faz lembrar que convivo com as mazelas humanas por onde quer que vá; o fracasso, se ele me faz exercitar virtudes tão importantes como a persistência e a esperança? Por que temer a solidão, se é nela que experimento a saudade, a lembrança e a carência – e como isto me faz saber o quanto preciso amar e ser amado; a guerra, se ela é resultado de ambições iguais as que trago comigo; a desilusão, se ela me alerta para os cuidados principais da convivência – o tempo e a confiança?

Realmente… não há porque temer Deus… pois sua tradução mais literal é: amor, e com ele, fidelidade, bondade, mansidão, justiça… virtudes que me levam em direção à igualdade, à fraternidade, respeito, direito e coisas afins.

Da mesma forma, a Bíblia, porque em sua essência, ela fala do Deus amor e de seu amor a nós, a quem Ele chama de filhos/as, povo amado, ovelhas de seu pastoreio.

Não há razão para temer a morte… se compreendermos a vida como uma dádiva, uma oportunidade, uma chance de saborear coisas boas, sem prazo, sem tempo, sem direito.

Mas há necessidade de temer a vida, especialmente se ela fizer menção à morte… a mais cruel de todas elas, a morte da paz, capaz de matar a felicidade, a harmonia e a esperança dentro de nós.

Por isso tudo, resolvi não temer mais nada, além de mim mesmo… por saber que, apesar de não ter o direito, nem o controle da vida, tenho a oportunidade da escolha para vivê-la como quero, segundo minhas opções e vontades, refém ou algoz de meus próprios temores.

Rev. Nilson.

Published in: on dezembro 12, 2007 at 9:53 am  Deixe um comentário  

“…acima dos telhados, só Deus e os gatos!”

As águias foram feitas para o céu e de lá olham para nós, seres terrestres, como espectadores de nossa sina, o chão.

Mas, como é débil a alma humana… tenta elevar-se às alturas, construindo torres, arranha-céus e máquinas voadoras, para, nem que seja por um instante, colocar-se acima de outras almas, mais imponente, mais auto-suficiente…

Caminhar nas alturas não é nosso por essência! Há que se esperar um tombo…

Pobres daqueles que tentam equilibrar-se em suas próprias coberturas, ostentado um patamar que diminui outros seres, como, se também eles, não corressem os perigos da queda…

Cabe-nos, então, andarmos com cuidado, mesmo quando estatelados no solo…

Por isso, lembro-vos o ditado…

“…acima dos telhados, só Deus e os gatos!”

Márcia Regina.

Published in: on dezembro 8, 2007 at 1:33 pm  Comments (1)  

Sei que nada sei sobre o amor.

28.11.2007.

Hoje completamos vinte anos de um feliz casamento – sem contar os cinco de namoro e um de noivado. Pensando sobre o assunto me espantei ao notar que não consigo lembrar de momentos graves em nossa relação conjugal. Até tentei buscar fatos que seriam dignos de reflexão, mas foi sem sucesso. Não me lembrei de desavenças, nem de crises ou coisas do gênero. Não existe nada que possa relatar a esse respeito.

É claro que tivemos provações! Mas, sinceramente, sem hipocrisia, não lembro delas! Se existiram, foram apagadas de minha lembrança. Apenas de um ou dois problemas de saúde que enfrentamos como família.

Posso reviver momentos bons, de alegria, de plena felicidade. Posso me lembrar de sorrisos, abraços e gestos que foram gravados em meu íntimo com a força de uma grande emoção e agradecer a Deus pelas duas décadas de vida abundante.

Assim, começo a entender uma dimensão especial do amor, que ainda não tinha percebido na prática. Ao descrever este sentimento em 1 Coríntios 13, o apóstolo faz algumas afirmações que levam a compreensão de maneira mais próxima desse ‘caminho sobremodo excelente’.

Acredito que agora tenha condições de afirmar como Paulo: o amor é benigno… ele se dirige por expressões de bondade, procurando harmonizar desejos e interesses… desviando-se de ambições, ganâncias e pessoalidades. E, mais, é bálsamo que neutraliza as mágoas da maldade e da dor.

Certamente, também posso garantir que é paciente… sabe dar tempo ao tempo, trazer serenidade e sabedoria diante de mazelas como ciúme, ufanismo, soberba, inconveniência, interesse pessoal e injustiça…

Pelo contrário, hoje sei que o amor age renovando crenças, consolando em horas de sofrimento, remindo o tempo das esperas que temos e revigorando nossas forças para suportar momentos ruins.

Hoje sei o quão importante é amar… para viver, para sobrevier e, especialmente, para superar e esquecer.

Diante do meu amor, lamento as demonstrações de falta de amor… que desumanizam a vida e nos afastam do divino, do perfeito e da riqueza… concluindo, o que tanto ouvi ao longo da vida dos/as mais experientes… a verdade bíblica, a verdade suprema: “se não tiver amor, nada serei”.

Estou certo de que ‘se não tiver amor’ nada serei como marido, pai, especialmente como amigo, companheiro e colega de quem quer que seja, pois sem amor, poderei até ser barulhento, alegre, empolgado, notado, como um sino que toca, mas não experimentarei da fidelidade, da cumplicidade e, principalmente, da boa vontade, tão ausente nos diversos campos do relacionamento.

Sem amor, poderei ter palavras, sugestões, conclusões e posicionamentos… mas, certamente terei pouco sentido e emoção… possivelmente terei presença, mas correrei o risco de estar sem sintonia.

O amor é tanta coisa, como diz Paulo… mas, pra mim, de forma concreta, é a liga, a cola, a explicação do que vivi durante esses bons anos. Ao mesmo tempo é ele a esperança da eternidade e da longevidade disso que partilho.

Amei como menino, agora amo como homem… cri, como criança, que pra certas questões não haveria solução, desculpas, superação… que o tempo poderia ser impiedoso e fazer desbotar minhas vontades e desejos… que a vida correria o risco de ser decadente… a beleza seria passageira… que o som perderia seu vigor…

Tudo ilusão!

Sei, como homem, que o amor jamais acaba… e que não há nada maior que ele… nem diferenças – outras línguas – nem profecias – interpretações pessoais – nem ciência – ponto de vista – nada!

Sei que nada sei sobre o amor! Ele sempre me surpreendente… me revigora, me refrigera e me rejuvenesce… ele não tem explicações, nem lógica, nem respostas… ele trabalha sempre na contramão do que idealizamos, mas sempre nos leva pra onde queremos!

Sei que amo e nada mais. Não há nada mais a querer, nada mais a obter… a não ser que eu o tenha sempre comigo… pequeno e grande, profundo e suave… total!

Rev. Nilson.

Published in: on dezembro 3, 2007 at 11:04 pm  Comments (3)