Conta as bênçãos!

É impressionante como a tendência para o trágico nos atrai. Espero que essa opção por salientar coisas amargas da vida, não seja uma cultura arraigada em nossa gente, mas, infelizmente, é o que parece.

Quase sempre ouvimos uma sucessão de tragédias quando perguntamos: tudo bem? Como tem passado? Pronto. Isso é o suficiente.

Outro dia ouvi uma sátira de um comediante famoso sobre essa questão. Ele dizia que tem gente que compete pra ver quem é mais doente, quem tem mais problemas.

Talvez seja exatamente por isso que um dos hinos do Hinário Evangélico (338), insiste: Conta as bênçãos! Dize quantas são!
Quem sabe se Elisa Rivers Smart, ao compô-lo, já não havia descoberto a necessidade de reverter essa mania de murmúrio.

Contar bênçãos parece ser mais difícil do que contar dramas… quase sempre nossa memória está mais disposta a lembrar do fatídico, do doloroso, a despeito do que nos acontece de bom.

Não é que as dores devam ser ignoradas… precisamos chorar nossos fracassos, isto também faz parte da vida, mas preferir lembrar os desencantos aos momentos de alegria e bênção, pode ser uma atitude deprimente!

Imagino que a intenção da autora tenha sido a melhor possível… nos alertar para percebermos, na mesma proporção, as alegrias que permeiam as tristezas! Se existem tristezas, também existem alegrias… notar esta mistura é equilibrar a vida numa caminhada serena e natural.

David Fisher, em seu livro “O Pastor do século XXI” faz referência a uma citação de C. H. Spurgeon que vale a pena ser lembrada: “… Tenho tentado ultimamente não me importar com o louvor do homem mais que do que sua censura, mas simplesmente repousar sobre esta verdade – sei que tenho uma motivação pura no que tento fazer; estou consciente de que me empenho em servir a Deus com vistas apenas à sua glória; portanto, não preciso receber o louvor nem a censura do homem, mas permanecer independentemente sobre a rocha do fazer o que é certo”.

Para mim, conseguir colocar em prática o que este homem diz estar tentando, é aprender a viver da maneira mais tranqüila que possa haver. Dando a cada questão o seu devido valor. Sem exageros, sem distúrbios, sem falta de medida. Não se empolgar demais com as alegrias, nem se entristecer demais com as tristezas. Isto me faz lembrar a expressão de Davi no Salmo 108.1: “Firme está o meu coração, ó Deus!”.

É, realmente, impressionante a mensagem do hino. Conta as bênçãos! Não fique chorando pelos fatos difíceis, pelas questões traumáticas, pelas dores e dilemas que vêem sobre nós a cada dia!

Conta as bênçãos para mostrar para si mesmo/a que não existem somente derrotas, fracassos… há também motivo de comemoração pelo fato de perceber-se que Deus tem providenciado bênçãos pra nós!

Conta as bênçãos para não cair em tentação… na tentação pior da vida, que é a de pensarmos que Deus se esqueceu de nós e não somos lembrados/as por seu amor!

Conta as bênçãos! Note o quanto Deus é bom… observe as providências, perceba os livramentos!
Sinto que a compositora desse hino evoca o povo de Deus a uma tarefa de fé, de transformação, a partir de uma visão mais aberta à sua ação.

Espero que aprendamos a dar mais, muito mais valor àquilo que Deus faz por nós, a ponto de sentirmos muito maior alegria na vida, mesmo que ela também nos surpreenda, vez em quando, com suas dores, tristezas e fracassos.

Que “Contar as bênçãos” seja prioridade em nós… e que creiamos sempre!

Na graça e na paz,

Rev. Nilson.

Published in: on julho 7, 2007 at 1:04 pm  Comments (2)