Esperando o telefone tocar

Foi notícia em toda imprensa nacional a morte de uma das filhas de Pelé, Sandra Regina Arantes do Nascimento que faleceu de câncer nos seios no último dia 17 (terça-feira).

Apesar de ser lembrada muito mais pelo sobrenome famoso do que pelos dois mandatos de vereadora na cidade de Santos – SP, é sabido que o relacionamento entre pai e filha nunca foi normal.

Somente a custa de uma batalha judicial que durou cinco anos (1991 a 1996) que o reconhecimento de paternidade foi feito, ainda assim, segundo consta, o relacionamento propriamente dito, nunca veio!

O mais dramático nesta história “real” é que, segundo o jornalista Francisco Basso Dias (www.clicerechim.com.br acesso em 19/10), “Sandra teria dito no hospital, antes de morrer, que um de seus últimos desejos era ver o pai ou receber um telefonema dele. Infelzmente, Pelé não apareceu e muito menos telefonou”.

O máximo que aconteceu foi o “rei” ter enviado uma coroa de flores ao funeral da filha para o que comentou a mãe, traumatizada pelo momento: “há coisas que podiam ter sido feitas em vida. Flores não vão fazer efeito neste momento”.

Mais que “real”, o impasse entre Pelé e sua filha estimula nossa emoção e fé em direção a uma reflexão profunda sobre as coisas que temos pra fazer, mas não fazemos. Questões que vamos deixando, dia a dia, serem petrificadas dentro de nossa alma e que, antes de machucar os outros, acabam por ferir a nós mesmos/as.

Infelizmente, este drama não acontece somente nos noticiários, mas, de uma forma muito expressiva, está presente na vida de muita gente que reluta consigo mesma.

São relacionamentos de pai e filho/a, mãe e filho/a, pai e mãe, entre sogros/as e noras/genros, entre irmãos, entre primos/as, entre amigos, entre conhecidos/as, entre rivais políticos, enfim, nos mais diferentes níveis e contextos de relacionamentos.

Quantas pessoas, a exemplo da filha de Pelé, estão morrendo amarguradas, depressivas porque esperam por dias, semanas, meses, anos, o telefone tocar!

Quanta gente vive desafiando o tempo, a dor, a morte, a paz, porque não faz o que seria preciso fazer e, por conta disso, afunda-se, cada vez mais nas areias do rancor, da tristeza e da morte.

Telefones que não tocam… vidas que não saram… angústias que se agravam.

Tento imaginar a dor daquela jovem senhora, no leito de um hospital, sentindo a agonia da morte, suplicante por paz de espírito… aguardando apenas um telefonema!

Da mesma maneira, penso como é lastimosa a recordação para seu pai… saber que poderia ter feito diferença na vida daquela filha, apesar de todas discórdias, apesar de toda a resistência… e nada aconteceu.

Que lembranças terão os/as que viveram de perto esta trágica história… que lembranças teremos do “rei”, com tão pouca nobreza?

São marcas que ficarão… de feridas que poderiam ser tratadas a tempo, mas não, se agravaram, se complicaram, sem remédio, sem cuidados, sem socorro, e se transformaram em cânceres da alma e do espírito.

E quantas mazelas do corpo, da emoção, da razão, são frutos amargos dos desacertos que temos durante a vida… tumores que afloram gerados pelas amarguras que nascem no íntimo do coração!

Salomão aconselhou os jovens em Eclesiastes 12:1e 2 dizendo: “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento; antes que se escureçam o sol, e a luz, e a lua, e as estrelas, e tornem a vir as nuvens depois da chuva;”.

Talvez, parafraseando Salomão, devamos dizer nesse contexto, lembra-te de fazer o que tens para fazer, antes que venham os maus dias… antes que venha a dor, antes que venha a angústia, a tristeza, a depressão, a morte.

Se Pelé tivesse reconhecido sua filha… se tivesse falado com ela… se, ao menos, tivesse telefonado! Mas o telefone não tocou… e veio a dor, e veio a tristeza, e veio a morte e, por conseqüente, a separação sem reparos no coração de quem foi e de quem ficou!

Que Deus nos ajude e nos inspire!

Na graça e na paz,

Rev. Nilson.

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Published in: on janeiro 24, 2007 at 10:35 am  Deixe um comentário  

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