Controladores de Vôo

O feriado de finados desse ano foi muito diferente dos demais, principalmente para quem dependeu do transporte aéreo. Por conta da ‘operação padrão’ dos controladores de vôo, as viagens de avião ficaram absurdamente prejudicadas.

Os noticiários deram conta de que os profissionais da área, impactados com a tragédia do acidente do vôo 1907 envolvendo o avião da “Gol”, passaram a controlar um máximo de 14 aeronaves – o que é regulamentar – deixando o excedente – em torno de 6 rotas – sem autorização para decolar.

Segundo a imprensa, o caos criado pela atitude dos controladores chegou a um extremo de 600 operações canceladas num só dia, o que representou num estrondoso alvoroço nos aeroportos mais importantes do país, além de vultuosos prejuízos para as empresas aéreas, de transporte, turismo e hotéis.

As cenas ao vivo na televisão me fizeram pensar sobre os mais diversos vôos que temos durante a vida… aqueles momentos em que nos encontramos com os pés fora do chão, com a cabeça nas nuvens, distantes do cotidiano, da normalidade… nos ares.

Entendi que assim como existem momentos de viagens físicas, também acontecem as viagens ao irreal… talvez seja isto que as pessoas tentam dizer quando brincam umas com as outras com expressões como “viajar na maionese” ou “cair na real”!

De fato, em determinadas horas, “viajamos na maionese” mesmo! Saímos do chão, nos perdemos em nossos devaneios, em nossos sonhos… temos o corpo presente, mas nos deixamos levar pelas nuvens da ficção!

Quem sabe, por isso, assim como os aviões, também precisamos de “controladores de vôo”, para nos ajudar a retomar em meio as abstrações de nossa consciência e razão.

O texto sagrado conta uma história que, para mim, foi um desses vôos a que me refiro. A Bíblia mostra Moisés num fogo cruzado. O povo estava sedento e ele pediu uma providência a Deus. Foi orientado para que falasse a uma determinada rocha… e ela jorraria água. Mas o relato diz que Moisés se empolgou… fez um pequeno discurso, repreendeu o povo e, numa demonstração de força, bateu na rocha duas vezes. A água saiu, mas Moisés foi duramente repreendido por Deus!

Entendo que no afã de fazer a coisa acontecer, Moisés voou alto demais, viajou! Pegou o avião que Deus tinha lhe dado e, ao invés de fazer só o trivial, começou a dar piruetas e rodopios. A ordem era para falar à rocha… e ele inventou em cima… fez discurso, bateu duas vezes…!

Nós também não estamos livres desses vôos! Vez por outra queremos dar o nosso “toque” naquilo que nos é orientado… dificilmente perdemos a oportunidade de mostrar “nosso estilo” nas coisas que fazemos… é aí que voamos, que sonhamos, que rodopiamos com os aviões que não nos pertencem… umas vezes nos livramos, mas, na maioria delas, ficamos tão zonzos/as que caímos… e nos machucamos!

Não é fato que precisamos de “controladores de vôo”? O complicado é entender os sinais que o Supremo controlador de todos os vôos nos dá!

Há momentos em que Deus está nos sinalizando e não queremos entender! Horas que Ele coloca pessoas amigas, próximas para nos advertir sobre os perigos que corremos… quase sempre existem luzes acesas nos painéis da nossa alma nos prevenindo dos riscos e dos prejuízos que poderão resultar das alturas que tanto nos fascinam! Mas como é difícil entender, como relutamos!
Sofremos, morremos e matamos por ignorar os alertas de Deus!

Entristecemos a nós mesmos/as e aos/as nossos/as queridos/as quando menosprezamos os perigos de viver nas nuvens.

As alturas nos afastam da realidade, do chão, dos conselhos, dos/as amigos/as, do comum, da lucidez, da razão… as nuvens são belas, porém, podem ofuscar nossa visão, nosso controle, nossa capacidade de orientação!

Precisamos uns/umas dos/as outros/as, precisamos de Deus! Ele é nossa referência maior, nossa condição de controle… inspiração para nos ajudarmos mutuamente a manter o controle da vida, do pensamento, da emoção.

Deus é a possibilidade de haver vôos tranqüilos, sem percalços, sem quedas, sem desvios!

Que possamos confiar n’Ele e nas orientações que tem pra nós!

Que sejamos controlados/as pela serenidade do céu e que tenhamos sempre boa orientação em terra firme ou nos vôos que a vida nos prepuser!

Na graça e na paz,

Rev. Nilson.

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Published in: on janeiro 24, 2007 at 10:26 am  Deixe um comentário  

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