Caçadores da Arca Perdida

Tento imaginar o porquê de Pedro ter se voltado aos jovens de maneira especial no final de sua primeira carta, e mais, parece alarmado, preocupado com eles… os previne utilizando a figura de um leão que anda ao redor, buscando alguém para devorar.

Me sinto como Pedro, incomodado, porque, afinal de contas, quando existe um leão rondando, ou vários deles, não é momento para descontração!

Certamente Pedro via alguns leões em sua época… e quais seriam os da nossa?

Creio que os leões do nosso tempo são muito perspicazes e tem tido habilidade surpreendente para não serem notados. Um deles, muito sagaz, age dentro dos espaços do templo, do culto, da emoção… atinge aquilo que nos é mais precioso, e perigoso, nossa auto- estima, utilizando como matéria prima nossas frustrações, receios, anseios, recalques, e a partir disso, nos fascina, com os encantos que deveriam ser naturais, como o aplauso e o elogio.

Muitos/as jovens estão se deixando levar pelas garras dos shows que acontecem dentro das igrejas, porque nosso inimigo sabe que não há nada mais atraente do que um pequeno reconhecimento para quem já foi pisoteado pela vida – e igreja é mesmo lugar de cura emocional – mas isto tem que acontecer de maneira certa. O engano, tem feito muitos/as jovens cair na tentação de colocar-se no lugar d’Aquele que merece toda a atenção, todo o aplauso, toda honra e toda glória.

Isso é tão notório que, basta alguém questionar de alguma forma as “apresentações” nas igrejas, para as garras desse leão aparecerem!

Existe também o leão que leva a pessoa a contrariar tudo o que está feito. Normalmente, é na juventude que vivemos o drama de achar que tudo está errado! Isto não é diferente nas comunidades de fé! Para quem está aprendendo, é comum o questionamento, mas o que freqüentemente se vê é um questionamento vazio, sem propósito, sem ponderação, sem aprofundamento, a tudo o que está instalado!

Como metodista, indago a fé que procura sobrepor a Experiência (pessoal) à Tradição, especialmente porque não tenho percebido muito a utilização da Razão, e uma evidente despreocupação com a Criação, e pior, muitas vezes baseando-se na Bíblia de forma fundamentalista, sem diálogo, sem lucidez!

Não há como ser metodista sem esse equilíbrio salutar entre Experiência, Tradição, Criação e Razão, a partir de uma leitura crítica e inteligente da Bíblia!

O leão do “não”, pelo simples prazer de contrariar, é um assassino de muita gente descuidada!

Mas, acredite, esses leões não me apavoram tanto, o que mais me assusta, é um que tem crescido bastante, e com uma saúde admirável, à custa de muito alimento que tem recebido. Ele ronda procurando, e com freqüência conseguindo, tirar não somente dos/as jovens, mas de um bom número de cristãos/ãs, a essência maior do cristianismo, a Graça!

De muitas formas, vemos a Graça, esse presente formidável que Cristo nos oferece, ser substituída pela Arca, que contém a Lei, o sacrifício… repetidamente, vemos pessoas voltando a contextos do Antigo Testamento, cantando a guerra, a escravidão, o preço a ser pago… dando ao culto cristão uma mensagem equivocada, como se Cristo ainda não tivesse vindo, morrido e nos tirado daquele jugo.

Ao invés de lermos o Antigo Testamento a partir do Novo, temos invertido a ordem das coisas, lendo o Novo, a partir do Velho, correndo atrás da Arca, da Lei!

Precisamos cantar, falar e viver a Graça que Cristo nos deu! Temos que pensar no próximo, como alvo da Graça que temos em Jesus! Se não, se Cristo não morreu, como diz o apóstolo, é vã a nossa fé!

Não é fácil reviver o drama de Pedro falando aos/as jovens! Sinto claramente, lendo parte do capítulo 5, que jovem é jovem em qualquer tempo. Também é possível perceber que os conselhos continuam os mesmos! Estão voltados à submissão – e nem é necessário comentar, especialmente em relação a pais/mães, pastores/as, professores/as! Tratam ainda da questão dos relacionamentos – tão problematizados pelo contexto excludente em que vivemos; Também com relação ao tema da humildade – sem comentários; E, finalmente, com respeito à sobriedade e vigilância!

É… os leões estão aí, e os conselhos também! E quem escreve a nossa história somos nós mesmos/as!

Por isso, olhos atentos!

Na graça e na paz,

Rev. Nilson.

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Published in: on janeiro 24, 2007 at 10:50 am  Deixe um comentário  

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