Outros textos da Márcia

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Perder nem sempre é prejuízo…

“… ao receber a notícia disse Jesus: esta enfermidade não é para a morte, e sim para a glória de Deus a fim de que o Filho de Deus seja por ela glorificado”.
João 11:4

Em tempos como os nossos onde o “vencer”, o “eu posso”, “eu conquisto” estão em voga, perder ou desistir de valores materiais ou até emocionais, significa, para muitos, sinônimo de fracasso, comodismo e falta do apropriar-se do fato de que somos príncipes e princesas, filhos mimados de um pai rico, detentor de poderes e privilégios só distribuídos entre sua prole.

Perder é a última coisa a passar pela mente de quem esta acostumado ao derramar de bênçãos sem medida e sem miséria a que todos nós, portadores do selo real, estamos acostumados.

No entanto, a vida de Cristo, o próprio Deus encarnado, nos mostra uma teologia um pouco diferente.

“Perder nem sempre é prejuízo”.

Várias vezes, nos evangelhos, vemos Jesus sendo provado em sua matéria e suas emoções, deixando de ser Senhor e passando a ser servo, destituindo-se de seus privilégios de Deus em favor das carências humanas, tão bem experimentadas por Ele.

O texto de Lázaro nos traz grandes lições já vistas e revistas por muitas pessoas: a compaixão de Cristo, a providência divina, a nossa convocação a tirarmos as nossas pedras e outras. Hoje, gostaríamos de destacar algo nem sempre aprazível de aprendermos com Jesus: o deixar morrer.

Cristo, mesmo se entristecendo ao ver seus amigos sofrendo, deixou Lázaro ser morto e enterrado. Mas, por quê, meu Deus ?

Esta pergunta, muitas vezes, também está em nossos corações, mas Jesus com seu grandioso amor nos ensina que na perda temos o prazer de vermos a glória de Deus manifestada e a honra de presenciarmos o “milagre”.

Que Deus nos ajude a entendermos nossa fé como entendeu Paulo: “… porquanto, para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro…” (Filipenses 1:21)

Márcia Regina de Moraes Silva.

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Simplesmente uma história…

Minha história com a Igreja Metodista e com o Ecumenismo começa com o batismo de meu pai.

Filho de um Presbiteriano com uma católica, foi abrigado, ainda na infância, na Igreja Metodista, aberta a estender a Graça de Deus a todos quantos se achegassem a ela.

A família, grata, tornou-se metodista em São Carlos-SP. Meu avô, pregador leigo da Palavra de Deus, andou por várias igrejas metodistas em São Paulo, Minas Gerais e Paraná, por conta de mudanças.

Na igreja de Poços de Caldas-MG, casaram-se meu pai e minha mãe, ela de família espírita, que ainda antes do casamento já freqüentava e apreciava os “Metodistas” pela maneira alegre e sincera com que praticavam o cristianismo (na época a sociedade de senhoras confeccionava enxovais de bebês e entregava para as freiras da Santa Casa, para que doassem para mães carentes).

Fui criada assim, feliz com a igreja de meus pais e avós, ensinada de perto, principalmente por meu pai, modesto professor de História e Geografia, que me ensinou que a multiforme Graça de Deus alcança a todos/as. Isso era tão comum e natural em nossas vidas que circulávamos tranquilamente por várias igrejas e eventos onde meu pai era convidado para pregar a Palavra.

Há alguns anos, venho temendo por nossa igreja, pois meu pai, fundador de várias igrejas do Paraná, de repente, veladamente, foi sendo colocado de lado, um pouco por sua muita idade que já não é respeitada dentro de louvores e cultos quilométricos e por ser Maçom jubilado, coisa que nunca falou mais alto que sua vida cristã, nem dentro nem fora de casa.

Há alguns anos ele, com toda naturalidade do mundo, não congrega mais na Igreja Metodista, onde nos criou e ensinou a servir a Deus (cinco filhos!). O que me impressiona é que ele, agora aos 80 anos, e quase não saindo de casa, não está triste e diz: “Meu espírito é metodista!”

Que Deus ajude nossa Igreja!

Márcia Regina de Moraes Silva
Leiga da Igreja Metodista, casada com um ministro Metodista

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Gerúndios…

Gosto dos gerúndios!

Sei que os literatos desaprovam esta minha conduta, mas não consigo ver a vida sem preciosos gerúndios!

O verbo chover, por exemplo, choveu, chove, choverá… tudo tão categórico! Mas se dissermos chovendo… temos então a sensação de que nada dura para sempre… temos noção de que as coisas são como um carretel que se desenrola ou como uma bola que rola em uma superfície lisa.

Somos mutantes como o “cantando” ou “falando”, “sonhando”…
Gosto dos gerúndios! Gosto também dos “et ceteras” e das reticências!

Nada se fecha em si mesmo! Há que se ter uma esperança!

Quantas palavras existem por trás dos et ceteras! Quantas possibilidades se abrem depois das reticências!

Correndo… partindo… voltando… amando… , etc.!

Não podemos definir as coisas como se tudo fosse exato, calculado, matemático! Sempre há motivos novos, perguntas a responder, tarefas a cumprir…

Gosto dos gerúndios! Eles nos tornam mais humanos e menos máquinas.

Não existem pretéritos “ perfeitos” ou futuros do presente sem a cadência dos gerúndios!

Não gosto do ponto final! Prefiro os momentos das vírgulas que nos dão tempo para pensar antes de ferir, de matar, de roubar!

Que possamos viver bem nossos gerúndios, fazendo deles uma porta para o novo, sabendo que nesta vida, nada está definido, sempre há uma fresta a desenhar um novo caminho, um caminhar, um caminhando…

Márcia Regina de Moraes Silva

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Passando…

O incrível é pensar que tudo passa… Passam os passos e compassos… Passam os rios e os desertos… a chuva passa…

A cantiga de festa e o cantar das carpideiras também passam…
Meu Deus! O tempo passa por nós e nós passamos…

Quem dera fôssemos como os ponteiros que pacientemente percorrem seu caminho, sem drama, sem trama… ou como os pássaros que buscam seu alimento dia a dia sem se preocuparem com o instante final que, afinal, fecha um ciclo para, de pronto, inaugurar outro, quem sabe melhor, quem sabe pior, quem sabe?

Dentro de nós, certezas e dúvidas nos incomodam como se tudo não fosse, (que ironia) fase…

Fase de inverno, de verão, de lua cheia, de lua nova, de crescer, de minguar… tudo passa… mas, enquanto passamos, o Eterno nos embala, nos ensina, nos consola, até que um dia, quando todos/as formos saudades, não passaremos mais, porque Ele nos fará, com Ele, perpétuos/as!

Márcia Regina de Moraes Silva

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Até de “Pelado”?

Como toda mãe “coruja” guardo em minhas lembranças alguns episódios interessantes na vida de meus filhos.

Por ocasião das Bodas de Ouro de meus pais, apronteu meu filho mais novo, com três anos, com todo o capricho, terninho, gravatinha, uma graça!

Ao sair do quarto, a família toda o elogiou deixando-o todo estufado!

Ao voltarmos da cerimônia, quando comecei a trocá-lo para dormir, me veio com uma pergunta inusitada: – Mamãe, eu sou bonito? – O que prontamente respondi que sim – e ele acrescentou: – Até de “pelado”?

Essa pergunta me fez dar boas gargalhadas pois percebi sua preocupação se as pessoas o estavam achando bonito pelas roupas ou porque ele era bonito mesmo…

Refletindo a respeito, fiz um paralelo com a nossa vida perante Deus e as pessoas que nos rodeiam.

Será que quando nos despimos de nossos enfeites, nossos trajes, quando vemos nossa imagem refletida no espelho tal como é, sem maquiagens e adereços, também podemos nos considerar bonitos? Será que Deus, que nos vê exatamente como somos, pode se orgulhar de nós e nos responder como respondi a meu filho? – Sim, você é bonito de qualquer jeito!

Que Deus nos ajude a cultivar nossa beleza por baixo de qualquer roupagem que possamos apresentar. Amém!

Márcia Regina de Moraes Silva

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“… O perfeito amor lança fora todo medo.”

Leia 1 João 4.18

Meu pai não cansa de narrar minha primeira experiência de férias no litoral com a família. Tinha aproximadamente quatro anos e ao me deparar com tanta água frente a insistência de todos para que entrasse naquele “oceano”; me saí com a seguinte frase: “Mas o mar é tão grande e eu sou tão pequenininha!”

Às vezes nos sentimos assim ao nos confrontarmos com os mares que apresentam em nossa vida, nos sentimos incapazes e indefesos, apavorados com a possibilidade do fracasso e da morte!

Depois de muita conversa e bem segura no colo do meu pai pude enfrentar meus medos e desfrutar daquilo que parecia tão assustador.

Que possamos também, cada vez que encontramos em situações de pânico e insegurança, confiar que podemos nos aconchegar no colo de Deus, e deixar que Ele nos ajude a “lançar fora todo o medo”

Márcia Regina de Moraes Silva
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