Uma vida que vai além

É lamentável, mas, em várias situações, até compreensível, o fato de uma grande parcela da sociedade ser arredia ao ambiente das igrejas. Algumas situações são catastróficas e agridem fortemente a inteligência e o bom senso.
Noutro dia a imprensa noticiou o caso de uma igreja que instalou um ‘ringue’ dentro do salão de cultos, justificando que se tratava de uma estratégia para atingir a juventude. Para a tristeza de quem tem um mínimo de decência em sua espiritualidade, aberrações como estas são cada vez mais visíveis.
Se não bastasse esta confusão toda, existe ainda a questão dos exageros que, além de ofenderem a lógica e a razão, confrontam repetidamente a teologia e a história de muitas instituições sérias. Há muitos eventos que degradam a boa imagem das igrejas do nosso tempo… homilias mal elaboradas, liturgias sem nexo, despreparo e destempero de quem deveria ser símbolo de acolhimento e afetuosidade. Ainda bem que existem exceções… poucas, mas existem.
Por outro lado, vemos a sociedade se lançar no racionalismo, atribuindo valor somente à razão e ao pensamento lógico. Desta maneira as pessoas percorrem caminhos firmados em resultado prático, visíveis e examináveis. A comprovação científica, a constatação e a experiência tornam-se instrumentos para entender e gerir a realidade humana… as pesquisas, os fatos e a demonstração de resultados passam a explicar e a ditar os dramas e sofrimentos da vida.
Existe quem não creia em quase nada pelo fato de não encontrar comprovação… vivendo uma eterna experiência com resultados que são sempre relativos… desprezando tudo o que seja lúdico, emocional, e que envolva algum tipo de sentimento.
Mas a vida humana vai além de tudo isto… de qualquer drama religioso ou institucional… e de qualquer comprovação… viver é experimentar uma realidade inexplicável, incerta, imprecisa e transcendente, algo que não tem receita e não está preso a qualquer convenção, humana ou mística.
Viver é equilibrar sentidos e permitir-se ao metafísico… sem isto, a vida fica fria, rija e pobre. A racionalidade por si só não responde aos dramas que temos em nossa alma, assim como a mística por si só não resolve as questões de nosso corpo.
Mas a fé está longe disso tudo… ela é um evento isento de qualquer explicação… é certeza, quando não existem possibilidades, crença, quando não se vê comprovação, visibilidade, quando não existe luz.
Então, é imprescindível orar, da forma mais espontânea que possa haver, crer, da maneira mais singela, perceber, do jeito mais crédulo… cantar, com o mais profundo sentimento e esperar com a esperança de quem não pode explicar nada.
Para viver bem, precisamos nos libertar das distorções que temos de Deus para nos libertarmos das prisões que criamos para nós mesmos… prisões que nos impedem de exercitarmos livremente nossa religiosidade a fim de encontrarmos um ambiente para Ele dentro de nós.
Que Ele nos ajude a alcançarmos isto.
Rev. Nilson.

Procuro exercitar livremente a minha religiosidade e abrir espaços para Deus dentro de mim… Porém, confesso que, às vezes,acho uma tarefa bastante difícil…
Abraços fraternos…