Água mole em pedra dura…

Há quem não aceite a estratégia persistente da água que, apesar de ser fraca e sem a rigidez da pedra, tanto insiste em sua intenção que acaba por esculpi-la. Esta imagem, relatada no ditado popular é mais que o retrato da sabedoria simples do povo. A meu ver, a frase, a muito repetida, revela a realidade de quem se depara, em certas situações, com uma única opção, perseverar.
A água, um dos elementos mais nobres da vida, sugere diversas realidades como, o refrigério num dia quente, a possibilidade da limpeza, o relaxamento… de alguma forma, também, pode significar a insegurança, a falta de sustentação… sem dúvida, a água tem a representação da vida, da natureza, do alimento, que é, na maioria das vezes, preparado através dela… e por ela germinam as sementes, surgem os peixes, garante-se a saúde dos animais e, por conseqüência, da humanidade. Apesar disso tudo, a água é leve, maleável, condutível… afinal ela não impõe caminhos, antes se curva às intenções dos rios, dos lagos e mares… a água é generosa… parece não ter grandes metas… deixa-se levar… segue o curso, sem se preocupar aonde chegar.
Talvez, por isso, seja difícil aceitar a afirmação do ditado… que fala de uma água que fura a rocha… que bate e persiste.
As pedras são insensíveis… frias… estáticas, inflexíveis… param e permanecem em sua rigidez, sem temer nada, sem se importar com nada… são imóveis, quase sempre, pesadas, sem ação, sem reação, fortes, difíceis e complexas. Por isso é tão difícil tê-las pelo caminho… pois, diante delas, só mesmo a tolerância, a compreensão, a paciência representada tão gentilmente pela água. Existem algumas possibilidades diante das pedras. Ceder, como a água ou explodir, como a dinamite.
Alegoricamente, somos como estas figuras. Alguns de nós somos frágeis como a água… pacienciosos, calmos, generosos, acessíveis, pacíficos… outros, como as pedras, densos, fechados, difíceis e inflexíveis. E o drama do rio, que se constitui de água e pedras, se repete na vida… e o que fazer diante das ‘pedras’ do caminho?
Há quem opte pela estratégia da água… dando volta, flexibilizando, sendo maleável… mas, também, existe que prefira agir como a dinamite… explodindo, abrindo caminho a qualquer custo.
Mas o ditado, nos dá uma terceira via… a da água teimosa, que, apesar de ser tolerante, gentil e frágil, sabe insistir, com paciência e persistência em seus ideais. Este caminho, que trabalha com tempo, temperança, resignação e tática, parece dar os melhores resultados. A beleza de muitos rios está nas esculturas feitas nas pedras, pelas águas que, pouco a pouco, transformam ranhuras em arte.
As estalactites, por exemplo, são formações rochosas sedimentares que se originam no teto de uma gruta ou caverna, crescendo para baixo, em direção ao chão da gruta ou caverna, pela deposição de carbonato de cálcio arrastado pela água que goteja do teto, com formas tubulares ou cônicas, enquanto que as Estalagmites são formações que crescem a partir do chão
.
Lembremos também dos grandes ‘canyons’, que são gargantas rochosas imensas produzidas pela ação erosiva das águas… são nada mais do que maravilhas da natureza produzidas pela paciência e determinação de muitas águas.
Assim, podemos concluir que a estratégia teimosa da “água mole em pedra dura…”, é menos dolorosa e mais artística, menos violenta e mais bonita, além de ter a grande virtude de ser generosa, harmoniosa.
Não é fácil conviver com as pontas cortantes das pedras… mas, talvez, se tivermos a perseverança e a disposição da água, poderemos gerar ambientes mais agradáveis e construir, uns nos outros, belas obras de arte.
Rev. Nilson.

Sinceramente??? Acho que sou mais “água teimosa”!!!
Abraços fraternos!!!